Renato Cariani pode ser preso após pedido de condenação do Ministério Público?

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani por tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro. Entenda se o influenciador pode ser preso, quais penas estão em discussão e o que falta para a sentença.
Renato Cariani durante apresentação em evento, vestindo camiseta preta e utilizando microfone de cabeça.
Renato Cariani responde em liberdade a acusações de tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro. O Ministério Público de São Paulo pediu sua condenação. (Foto: DIvulgação)

O influenciador digital Renato Cariani pode ser preso caso seja condenado pela Justiça, mas o pedido apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não determina sua detenção imediata. O fisiculturista continua em liberdade e ainda não recebeu sentença no processo.

A manifestação dos promotores, protocolada em 21 de outubro e divulgada na quarta-feira (28/10), reacendeu a discussão sobre a situação judicial do empresário, acusado de tráfico de insumos químicos destinados à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

Renato Cariani pode ser preso antes da sentença?

A prisão antes da condenação definitiva é juridicamente possível, mas exige fundamentos específicos, como os previstos para a prisão preventiva. O pedido de condenação do MP-SP, isoladamente, não autoriza a prisão automática do influenciador.

O processo tramita na 3ª Vara Criminal de Diadema, na Grande São Paulo. De acordo com reportagem do UOL, a juíza Andrea Coppola Brião concedeu prazo comum de 30 dias para as defesas apresentarem suas alegações finais. Depois, o caso poderá seguir para sentença.

Se houver condenação, a possibilidade de prisão dependerá dos fundamentos da decisão, das medidas cautelares aplicáveis e da situação dos recursos. Portanto, uma sentença condenatória também não significa, necessariamente, recolhimento imediato à prisão.

Qual pena Renato Cariani pode receber?

Em caso de condenação pelos crimes imputados, as penas acumuladas podem variar de 16 a 51 anos de prisão, conforme estimativa divulgada pelo Estadão. O Ministério Público atribui aos acusados 59 ocorrências de tráfico de insumos químicos e outras 59 de lavagem de dinheiro, além de associação para o tráfico.

Essa projeção não representa uma condenação antecipada. Pela legislação brasileira, o tempo máximo de cumprimento de penas privativas de liberdade é de 40 anos, mesmo quando a soma das condenações ultrapassa esse limite.

A investigação da Polícia Federal, que resultou na Operação Hinsberg em dezembro de 2023, identificou suspeitas de desvio de mais de 12 toneladas de produtos químicos. Para o MP-SP, a Anidrol, empresa da qual Cariani é sócio, teria participado do fornecimento dessas substâncias ao narcotráfico.

Ainda conforme a acusação, notas fiscais emitidas em nome de indústrias farmacêuticas teriam sido utilizadas para ocultar o destino dos produtos. Os promotores também apontam mais de R$ 2,4 milhões em operações financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro.

O MP-SP pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Na mesma manifestação, solicitou a absolvição de outras duas acusadas por insuficiência de provas.

O que diz a defesa e quando sairá a decisão?

Em nota divulgada, o advogado Aldo Romani Netto afirmou que recebeu o pedido de condenação com naturalidade. A defesa considera a manifestação uma etapa esperada do processo e pretende contestar os argumentos da acusação.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Renato Cariani reagiu ao pedido de condenação do Ministério Público. O influenciador afirmou que pretende provar sua inocência e ressaltou que não se trata de uma nova acusação.

“Em 2023, a minha empresa foi vítima de uma quadrilha que acabou desviando produtos químicos”, declarou.

O influenciador nega participação nos crimes. Conforme sua versão apresentada nos autos, ex-funcionários teriam utilizado a estrutura da Anidrol para realizar operações fraudulentas sem conhecimento dos sócios.

Ainda não há data anunciada para a sentença que poderá resultar em uma eventual prisão de Renato Cariani. A Justiça deverá examinar as provas e os argumentos das partes antes de decidir pela condenação ou absolvição. Até lá, o empresário permanece réu e responde às acusações em liberdade.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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