Diesel russo no Brasil retoma rota após perder espaço nas importações

Diesel russo no Brasil retoma rota comercial após perder participação nas importações brasileiras. Dados da ANP revelam dependência externa e navio rumo a Manaus.
Ilustração realista de um navio petroleiro em terminal de combustíveis, com bandeira do Brasil, representando o retorno das rotas de diesel russo.
Diesel russo volta a ter o Brasil como destino após fim das restrições de exportação de Moscou, enquanto participação russa nas importações brasileiras registra queda.(Imagem: Editorial).

O diesel russo no Brasil volta ao centro das operações comerciais após o fim da proibição de exportações imposta por Moscou, mas encontra um mercado em que sua participação nas importações diminuiu. Segundo dados do MDIC citados pela Argus em documento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Rússia respondeu por 65% do diesel importado pelo Brasil em 2024, 57% em 2025 e 47% no primeiro trimestre de 2026.

A retomada ganhou um sinal concreto nesta terça-feira (20). O petroleiro Leruo, que deixou o porto russo de Primorsk em 16 de outubro, passou a indicar Manaus como destino. A movimentação foi identificada pela Kpler e pela LSEG, segundo a Reuters, mas a chegada e o desembarque da carga ainda não foram confirmados.

Brasil continua dependente de diesel importado apesar da mudança de fornecedores

A perda de participação russa ocorreu antes da retomada das rotas comerciais. A comparação, entretanto, exige cuidado: os indicadores de 2024 e 2025 abrangem anos completos, enquanto o resultado de 2026 considera somente o primeiro trimestre. A série não permite determinar como as compras brasileiras se distribuirão no restante do ano.

A dimensão econômica aparece nos dados da ANP. Em 2025, as importações líquidas de diesel representaram 27,3% da demanda interna brasileira, equivalentes a 16,3 milhões de metros cúbicos. O resultado evidencia a necessidade de fornecimento externo para complementar a produção nacional.

Essa dependência não deve ser confundida com uma dependência exclusiva da Rússia. O Brasil também compra diesel de outras origens, e a participação de cada fornecedor pode variar conforme as condições comerciais e as decisões dos importadores.

Diesel russo no Brasil enfrenta diferenças de preço e restrições comerciais

Uma particularidade do mercado ajuda a explicar por que uma origem competitiva nem sempre concentra todas as compras.

Em manifestação apresentada à ANP em abril de 2026, a Argus identificou o diesel russo como a alternativa mais competitiva em seu levantamento de preços para cargas destinadas aos portos brasileiros, iniciado em maio de 2023.

Apesar disso, importadores também buscavam outros fornecedores. A empresa mencionou estratégias de diversificação e regras internas de conformidade que impedem determinadas companhias de comprar produtos sujeitos a sanções internacionais.

Essas condições ajudam a compreender a existência de diferentes escolhas comerciais, mas não comprovam que a redução da participação russa tenha sido causada exclusivamente por esses fatores.

Também não há informação suficiente para determinar o preço da carga transportada pelo Leruo ou concluir que sua eventual chegada terá reflexo nos valores pagos pelos consumidores brasileiros.

Brasil mantém importância nas exportações russas mesmo com participação menor

Segundo dados da Kpler divulgados pela Reuters em 20 de outubro, o Brasil recebeu 24% dos carregamentos de diesel russo em 2026, equivalentes a 66 mil barris por dia. A Turquia recebeu aproximadamente 34%, ou 95 mil barris diários, no mesmo período.

Há uma distinção essencial entre os levantamentos: os dados do MDIC medem a origem das importações brasileiras, enquanto os da Kpler identificam os destinos das exportações russas. Portanto, o Brasil pode continuar sendo um comprador importante para Moscou mesmo com uma participação russa menor no mercado brasileiro.

A retomada das viagens também envolve o petroleiro Dolunay, que partiu de Primorsk em 14 de outubro transportando diesel e passou a indicar Alanya, na Turquia, como destino.

No caso do Leruo, as informações divulgadas não identificam o comprador brasileiro, o volume da carga nem uma data confirmada de desembarque em Manaus.

Os relatórios de desembaraço aduaneiro da ANP permitem verificar operações efetivamente registradas, com informações sobre produtos, origens, volumes e importadores. Para o diesel russo no Brasil, a nova indicação de destino representa a retomada de uma rota marítima, enquanto a entrada dessa carga específica no mercado nacional ainda depende de confirmação.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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