O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15), que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste havia quase quatro anos. A declaração ocorreu após o governo ter enviado ao Congresso uma proposta de Orçamento para 2027 sem prever a correção do benefício. Posteriormente, o reajuste foi anunciado em setembro.
Em entrevista à TV Globo, Lula classificou a situação como “inexplicável” e afirmou que cobrou explicações de seus ministros. Segundo o presidente, a decisão de aumentar o benefício foi tomada assim que soube da ausência de correção. Não foi porque a equipe econômica havia identificado recursos disponíveis. Ele também declarou que havia espaço fiscal para bancar a despesa.
Registros do governo antecederam o reajuste do Bolsa Família
Em maio de 2025, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informou oficialmente que não havia decisão nem estudo em andamento para reajustar o Bolsa Família. O comunicado foi atualizado em junho de 2026. Isso aconteceu antes do anúncio de correção dos valores.
Em 31 de agosto de 2026, o Executivo encaminhou ao Congresso a proposta de Orçamento de 2027, com R$ 157,1 bilhões previstos para o Bolsa Família naquele exercício. No entanto, não foi incorporado o reajuste dos benefícios.
A cronologia permite identificar como a correção foi tratada administrativamente antes da decisão anunciada em setembro. Entretanto, esses registros não comprovam quando Lula tomou conhecimento pessoal da falta de reajuste, nem demonstram que tenha participado diretamente das decisões anteriores.
O governo formalizou o aumento em 17 de setembro de 2026, por meio do Decreto nº 13.120. A atualização de 15,04% corresponde ao INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026, conforme as informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social.
Promessa de compensação não confirma pagamento retroativo
Com o reajuste do Bolsa Família, o benefício mínimo garantido por família passou de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado subiu de R$ 675 para R$ 777, considerando os valores divulgados para outubro de 2026.
Durante a entrevista, Lula também afirmou que decidiu compensar os anos em que o programa permaneceu sem correção. A declaração, porém, não esclareceu se essa compensação envolveria apenas a atualização pela inflação acumulada ou algum pagamento adicional.
Essa distinção é importante para os beneficiários. Corrigir o valor atual pela inflação de períodos anteriores não significa, necessariamente, depositar as diferenças correspondentes a cada mês em que o benefício permaneceu sem aumento.
O decreto que estabeleceu os novos valores trata da recomposição dos benefícios a partir da folha de outubro de 2026. O ato não determina pagamentos retroativos mensais referentes ao período anterior.
Para as famílias atendidas, a consequência confirmada é o início dos pagamentos reajustados em 19 de outubro de 2026, conforme o calendário oficial. Uma eventual compensação financeira adicional pelos meses anteriores ainda depende de confirmação específica do governo.