O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu uma revolução tecnológica durante ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11). A proposta para um eventual quarto mandato encontra uma política federal já estabelecida: o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23,03 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. O discurso, porém, não especificou quais compromissos seriam acrescentados ao planejamento existente.
Lançado em julho de 2024, o plano de inteligência artificial reúne ações de formação profissional, infraestrutura tecnológica, modernização dos serviços públicos e inovação empresarial. A existência desses investimentos previstos não significa que os recursos tenham sido integralmente aplicados ou que as metas estejam cumpridas.
Plano de inteligência artificial prevê vagas e formação profissional
Uma das metas do PBIA é criar 5 mil vagas em cursos de graduação em inteligência artificial no prazo de três anos. O planejamento prevê R$ 183,24 milhões para essa ação entre 2024 e 2028, conforme os valores apresentados na documentação do programa.
O eixo de difusão, formação e capacitação reúne R$ 1,15 bilhão em investimentos previstos entre 2024 e 2028. Esses recursos integram o orçamento global do PBIA e não representam uma despesa adicional.
A formação tecnológica também recebeu uma iniciativa mais recente. Em junho de 2026, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou o programa Residência em TICs – Trilhas IA, com R$ 129 milhões previstos até 2028 para qualificar 5,8 mil profissionais, entre desenvolvedores e usuários de ferramentas de inteligência artificial.
O anúncio estabelece uma meta de capacitação, mas não comprova quantos participantes já concluíram os cursos. Também não permite afirmar, sem conferência orçamentária, que os recursos do Trilhas IA sejam adicionais aos investimentos previstos no PBIA.
Discurso de Lula na Paulista não define novas metas de capacitação
Durante a manifestação, Lula afirmou que pretende formar profissionais em inteligência artificial e na indústria digital, além de promover uma transformação energética. A declaração reforçou a importância atribuída à qualificação tecnológica, mas não apresentou, no trecho divulgado, quantidade adicional de vagas, orçamento próprio ou cronograma específico.
O presidente também defendeu a ampliação da presença de trabalhadores com diploma universitário no mercado de trabalho. Segundo os números citados por ele, o Brasil passou de 4,8 milhões de diplomados empregados em 2003 para 26 milhões atualmente. Lula mencionou a intenção de alcançar 50 milhões e 100 milhões, sem estabelecer um prazo para esses patamares.
O ato reuniu artistas, movimentos estudantis e lideranças políticas. Lula destacou a participação dos jovens e pediu que idosos compareçam às urnas no segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
Investimentos bilionários ainda exigem comprovação de resultados
No financiamento do PBIA, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) foi indicada como responsável por operacionalizar R$ 15 bilhões dos investimentos previstos entre 2024 e 2028, por diferentes instrumentos de apoio à pesquisa e à inovação. O montante integra a previsão global do plano.
Para verificar os resultados da formação tecnológica, é necessário consultar os registros das instituições responsáveis pelos cursos, os dados educacionais pertinentes e os relatórios oficiais de execução dos programas. A quantidade de vagas anunciadas não equivale ao número de matrículas realizadas ou de profissionais efetivamente formados.
A principal questão deixada pela promessa de Lula na Paulista é identificar o que será acrescentado ao plano de inteligência artificial em um eventual novo mandato. Sem um balanço atualizado das vagas abertas, dos recursos desembolsados e das medidas previstas, não é possível determinar quanto da transformação anunciada representa continuidade das políticas existentes e quanto dependeria de novas ações.