A aprovação de Trump permanece em 32%, o menor nível registrado pela Reuters/Ipsos na carreira política do presidente dos Estados Unidos. A marca chega a menos de um mês das eleições que definirão a composição do Congresso americano e nove dias depois de o Brasil escolher seu próximo presidente.
A proximidade interessa ao Brasil porque a relação com Washington já envolve tarifas sobre produtos brasileiros. Além disso, o primeiro turno daqui mostrou como uma eleição pode produzir reação imediata nos ativos: o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,0022, no primeiro pregão após a votação, maior recuo diário em mais de oito anos.
Na nova Reuters/Ipsos, realizada de 30 de setembro a 5 de outubro com 4.506 adultos, 65% desaprovam o desempenho de Donald Trump. No início do segundo mandato, em janeiro de 2025, a aprovação era de 47%, ante os atuais 32%.
Aprovação de Trump chega às midterms com independentes distantes do partido
A dificuldade aparece também entre eleitores sem identificação com os dois grandes partidos. Entre independentes registrados, 37% dizem que votariam em um democrata para o Congresso, contra 21% em um republicano. Outros 28% ainda não sabem em quem votar.
São 16 pontos percentuais de diferença, cálculo próprio a partir dos percentuais da Reuters/Ipsos. O resultado não permite antecipar quem controlará o Congresso: além dos indecisos, as eleições legislativas americanas são decididas por diferentes disputas estaduais e distritais.
Outro levantamento registra baixa avaliação de Trump nesse segmento. Pesquisa I&I/TIPP, realizada de 29 de setembro a 1º de outubro com 1.488 adultos, encontrou 24% de aprovação entre independentes, contra 61% de desaprovação. No mesmo grupo, 51% classificaram a liderança do presidente como fraca ou muito fraca.
A economia adiciona outra variável às urnas americanas. Em uma Reuters/Ipsos realizada de 28 a 31 de agosto, 47% dos eleitores registrados apontaram o custo de vida como o fator individual mais importante para decidir seu voto nas eleições de 2026. Na mesma pesquisa, 71% dos adultos desaprovavam a condução de Trump nessa área, contra 22% que aprovavam.
Dólar já reagiu às urnas no Brasil
Enquanto os americanos se preparam para votar, o mercado brasileiro já deu uma demonstração da sensibilidade ao cenário eleitoral. Após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar caiu 4,12% em um único pregão, enquanto o Ibovespa avançou 7,85% e superou os 200 mil pontos.
A moeda americana chegou a R$ 4,9534 durante a sessão e terminou em R$ 5,0022. O movimento ocorreu mesmo com o dólar avançando 0,24% diante de uma cesta de seis moedas no exterior. Profissionais ouvidos pela Reuters relacionaram a reação dos ativos brasileiros à percepção de maior possibilidade de ajuste fiscal caso Flávio vença o segundo turno. Essa é uma avaliação dos agentes de mercado, não uma consequência garantida da eleição.
O Brasil volta às urnas em 25 de outubro. Nove dias depois, em 3 de novembro, os americanos escolherão a nova composição da Câmara e do Senado para os dois últimos anos do mandato de Trump.
Tarifas colocam as duas eleições na mesma equação econômica
A sequência ganha relevância porque há uma questão comercial concreta entre os países. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos são alcançadas pelas novas medidas tarifárias americanas, considerando como referência o comércio bilateral de 2024.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões aos Estados Unidos, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. A participação americana nas exportações brasileiras passou de 12,1% para 9,4% nessa comparação.
A eleição brasileira definirá quem conduzirá a relação com Washington a partir de 2027. Nos Estados Unidos, as midtermsdefinirão a composição do Congresso com o qual Trump governará na segunda metade do mandato. A Constituição americana atribui ao Legislativo competência sobre comércio exterior e tarifas, embora leis tenham delegado diferentes poderes comerciais ao presidente.
É nesse ponto que a aprovação de Trump ganha uma consequência além da política doméstica americana. O presidente chega às midterms em seu menor nível de aprovação, enquanto independentes registrados mostram vantagem democrata na preferência para o Congresso. Para o Brasil, o resultado americano ocorrerá apenas nove dias depois do segundo turno daqui e em meio a tarifas que já alcançam parte das exportações nacionais. O tamanho da força de Trump no próximo Congresso será conhecido justamente quando o Brasil estiver iniciando sua transição para um novo mandato presidencial.