As visitas de Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, Jair Bolsonaro, foram novamente autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (12). A decisão encerra uma restrição imposta desde julho, mas mantém a proibição de utilizar os encontros para manifestações político-eleitorais ou divulgar declarações do ex-presidente.
Candidato à Presidência da República, Flávio comemorou a autorização após participar de uma missa na Catedral de Brasília. Ele afirmou que pretende visitar o pai na manhã desta terça-feira (13), em horário ainda não definido.
A decisão estabelece que as visitas devem ocorrer nas condições e medidas de segurança anteriormente fixadas. O ministro também proibiu a divulgação de manifestos ou declarações, inclusive por terceiros e independentemente do meio utilizado.
Por que Flávio Bolsonaro estava proibido de visitar o pai
A suspensão começou em julho, depois do vazamento de uma carta de conteúdo político escrita por Jair Bolsonaro. O episódio foi interpretado como uma tentativa de contornar as restrições impostas às manifestações político-eleitorais do ex-presidente.
Com a nova autorização, Flávio recupera o direito de visitar o pai, mas permanece sujeito às condições determinadas pelo STF. A liberação não representa uma autorização para transmitir declarações políticas de Jair Bolsonaro.
O senador afirmou que poderá reencontrá-lo não apenas na condição de advogado, mas também como filho. Ao ser questionado sobre a possibilidade de conversar a respeito da campanha presidencial, respondeu que precisava ter cuidado com suas declarações, pois, segundo ele, qualquer manifestação poderia ser utilizada contra o pai.
“Vou conversar com ele na qualidade de filho”, afirmou.
O que permanece proibido nas visitas de Flávio Bolsonaro
A distinção central está no alcance da decisão judicial. Moraes retirou a restrição que impedia os encontros familiares, mas não revogou as limitações relacionadas à atividade político-eleitoral.
Na prática, a autorização para o contato pessoal não significa permissão para divulgar mensagens, manifestos ou declarações do ex-presidente por intermédio de visitantes. Essa limitação está expressamente prevista na decisão.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista. A autorização concedida ao filho não altera, por si só, sua situação de custódia.
Flávio diz que quer reencontrar o pai como filho
Após a missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Flávio afirmou estar ansioso para abraçar Jair Bolsonaro. Segundo ele, a suspensão o impediu de encontrar pessoalmente o pai por mais de três meses.
“Estou ansioso para dar um abraço forte nele, primeiro de tudo”, declarou. O senador também classificou a restrição anterior como injusta e sem amparo legal, em sua avaliação.
Flávio, que é evangélico, participou da celebração católica acompanhado da esposa, Fernanda, do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL), de aliados políticos do Distrito Federal e de Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha.
Durante a celebração, o padre Agenor Vieira mencionou o candidato e fez uma oração pelos futuros governantes, pedindo harmonia no país. Flávio afirmou respeitar a fé dos brasileiros e destacou o caráter acolhedor da cerimônia.
A retomada das visitas ocorre após o encerramento, em 11 de outubro, da suspensão de 90 dias. A Procuradoria-Geral da República havia se manifestado favoravelmente ao pedido, e Moraes registrou a ausência de novos episódios que justificassem prolongar a proibição.
Para o encontro anunciado para terça-feira, a autorização judicial já existe, mas a realização da visita ainda precisa ser confirmada. Mesmo com a retomada do contato familiar, permanecem as condições de segurança e as restrições eleitorais estabelecidas pelo STF.