Execução ao vivo nos EUA deixa dúvida sobre TV e revela exceção no Brasil

O Pentágono planeja transmitir o fuzilamento de Nidal Hasan, condenado por matar 13 pessoas. A exibição na TV segue indefinida, enquanto o Brasil também prevê pena de morte em caso de guerra declarada.
Donald Trump discursa diante de um microfone durante evento nos Estados Unidos. Governo americano planeja execução ao vivo nos EUA.
Donald Trump durante discurso nos Estados Unidos. Governo americano planeja transmitir o fuzilamento de Nidal Hasan, condenado por um ataque que deixou 13 mortos em 2009.(Imagem: Instagram).

A execução ao vivo nos EUA, anunciada pelo Pentágono para dezembro, ainda deixa uma questão sem resposta pública: como as imagens do fuzilamento de Nidal Hasan chegarão aos espectadores? O governo americano confirmou a intenção de transmitir o procedimento pela internet, mas não detalhou uma eventual exibição por emissoras de televisão.

Nesta sexta-feira (9), Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), afirmou à CNBC que deixaria as decisões sobre a transmissão ao secretário de Defesa, Pete Hegseth. Carr indicou não esperar a exibição pela TV aberta, mas não anunciou uma proibição formal.

A declaração não significa que a FCC tenha transferido legalmente suas competências ao Pentágono. A agência regula determinados aspectos das comunicações americanas, enquanto as emissoras possuem responsabilidades editoriais próprias.

Execução ao vivo nos EUA enfrenta limites diferentes na TV e na internet

A possibilidade de exibição televisiva envolve a liberdade de expressão prevista na Primeira Emenda da Constituição americana. Segundo Andrew Jay Schwartzman, especialista em regulamentação das comunicações ouvido pela Reuters, a FCC não dispõe de fundamento legal para determinar que emissoras transmitam ou deixem de transmitir uma execução.

Em relatório de 2007, a própria agência reconheceu que imagens violentas podem receber proteção constitucional, o que limita a capacidade do governo de restringir sua divulgação apenas pelo conteúdo.

Na internet, a questão é diferente. Plataformas digitais possuem regras próprias de moderação, inclusive sobre violência explícita. Segundo reportagem do The Verge, serviços consultados não apresentaram uma posição uniforme sobre a eventual transmissão governamental.

A plataforma Kick indicou incompatibilidade com suas diretrizes, enquanto o TikTok remeteu às regras sobre conteúdo gráfico. Portanto, a confirmação de uma transmissão oficial não significa que todas as redes sociais permitirão sua retransmissão.

Brasil também prevê fuzilamento em caso de guerra declarada

A discussão americana apresenta uma conexão pouco conhecida com o Brasil. O artigo 5º, inciso XLVII, da Constituição Federal proíbe a pena de morte, exceto em caso de guerra declarada.

O artigo 56 do Código Penal Militar estabelece que a pena de morte legalmente aplicável seja executada por fuzilamento. A existência dessa previsão não permite aplicar a punição a crimes comuns, mesmo quando envolvem múltiplas vítimas.

Outra particularidade está no artigo 57 do Código Penal Militar. A condenação definitiva à morte deve ser comunicada ao presidente da República e, como regra, a execução somente pode ocorrer depois de sete dias, ressalvada a hipótese legal específica de operações de guerra.

Essa comparação distingue o método previsto em lei das condições necessárias para aplicá-lo. Também não estabelece qualquer autorização brasileira para transmitir execuções pela televisão ou pela internet.

Execução de Nidal Hasan está prevista para 3 de dezembro

Nidal Hasan, ex-psiquiatra do Exército americano, foi condenado pelo ataque que matou 13 pessoas e feriu outras 32 na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.

A execução está programada para 3 de dezembro de 2026, por pelotão de fuzilamento. Especialistas consultados pela Reuters afirmaram desconhecer registros anteriores de uma execução legal transmitida ao vivo ao público, uma ressalva que impede tratar o caso como ineditismo histórico definitivamente comprovado.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos criticou o plano. Segundo declaração reproduzida pela AFP, transmitir uma execução ao vivo equivale a torná-la pública e violaria a proibição absoluta da tortura.

Até o momento, a execução ao vivo nos EUA continua programada, mas os detalhes da distribuição das imagens, especialmente pela televisão, não foram esclarecidos publicamente. A principal incerteza não é apenas a realização do fuzilamento, mas o alcance que o governo pretende dar à sua transmissão.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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