Aprovação de Trump cai a 31% e disputa no Congresso envolve até o Brasil

A aprovação de Donald Trump caiu para 31%, segundo a Reuters/Ipsos. Democratas lideram a preferência para o Congresso por 12 pontos percentuais. A disputa também interessa ao Brasil pelas atribuições do Legislativo norte-americano sobre comércio exterior e tarifas.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aponta para a frente durante evento, em meio à queda de sua aprovação para 31%.
Presidente Donald Trump registra 31% de aprovação em pesquisa Reuters/Ipsos, enquanto democratas ampliam vantagem na preferência para o Congresso dos Estados Unidos.(Imagem: Instagram).

A aprovação de Trump caiu para 31% entre adultos norte-americanos, o menor patamar de seus dois mandatos, segundo pesquisa Reuters/Ipsos encerrada em 19 de outubro de 2026. O levantamento também registrou vantagem de 12 pontos percentuais dos democratas sobre os republicanos na preferência nacional para o Congresso, às vésperas das eleições de 3 de novembro.

O resultado interessa também ao Brasil. Além de influenciar a agenda legislativa norte-americana, o Congresso possui atribuições sobre comércio exterior e tarifas, temas que afetam diretamente a relação econômica entre os dois países. Uma mudança de maioria, porém, não altera automaticamente as medidas comerciais em vigor.

Voto para o Congresso também reflete a avaliação de Trump

Uma pesquisa independente do Pew Research Center, divulgada em 8 de outubro, acrescenta uma informação ao cenário eleitoral. Entre os eleitores registrados, 44% consideravam seu voto para o Congresso uma manifestação contrária a Donald Trump, enquanto 19% o associavam a uma manifestação favorável ao presidente.

O Pew entrevistou 5.062 adultos, incluindo 3.917 eleitores registrados, entre 28 de setembro e 4 de outubro de 2026. Na preferência para a Câmara dos Representantes, 44% dos eleitores registrados escolheram candidatos democratas, contra 36% que preferiram republicanos.

Aprovação de Trump e preferência partidária não são a mesma coisa

Na Reuters/Ipsos, os 31% de aprovação presidencial foram registrados entre 1.679 adultos, após recuo de um ponto percentual em relação ao levantamento realizado duas semanas antes. A margem de erro informada foi de dois pontos percentuais.

Já entre 1.279 eleitores registrados, 47% preferiram os democratas e 35% escolheram os republicanos. A diferença de 12 pontos percentuais foi a maior registrada nesse ciclo eleitoral pela Reuters/Ipsos, com margem de erro de três pontos percentuais para esse grupo.

As pesquisas medem situações diferentes. A aprovação presidencial avalia o desempenho de Trump, enquanto a preferência partidária identifica uma escolha eleitoral hipotética. No Pew, a pergunta sobre a Câmara considerou candidatos específicos na maioria dos distritos, diferentemente da cédula genérica nacional da Reuters/Ipsos.

Os preços elevados da gasolina também aparecem no contexto de insatisfação econômica nos Estados Unidos. Entretanto, os resultados apresentados não quantificam quanto desse fator explica especificamente a avaliação presidencial.

Por que o Congresso dos EUA também importa para o Brasil

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram US$ 3,52 bilhões em setembro de 2026, crescimento de 31,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Há um contraste importante: apesar da expansão mensal, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano caíram 6,5% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, em comparação com igual período de 2025, totalizando US$ 27,46 bilhões. Os dados mostram comportamentos diferentes conforme o intervalo analisado, sem estabelecer relação causal com a popularidade de Trump.

Uma particularidade do sistema norte-americano ajuda a entender a relevância dessa eleição. O Congresso tem competência constitucional sobre tarifas e comércio exterior, embora parte dessas atribuições tenha sido delegada ao Executivo.

O Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos já documentou discussões entre parlamentares sobre tarifas e sanções relacionadas ao Brasil. Além disso, o governo Trump determinou, em julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com exceções previstas na medida.

Diferentemente de uma eleição presidencial, a votação de meio de mandato não substitui o presidente. Ela redefine a composição do Legislativo, com disputas por distrito na Câmara e por estado no Senado. Os republicanos controlam atualmente as duas Casas.

Uma eventual mudança de maioria poderia modificar as condições de negociação legislativa e fiscalização do governo, mas não revogaria automaticamente tarifas existentes. Para o Brasil, a informação relevante é que decisões comerciais também passam por competências e procedimentos do Congresso, independentemente da aprovação de Trump nas pesquisas.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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