Trump ganha novos aliados na América Latina e governos negociam bilhões

A aproximação de governos latino-americanos com Donald Trump ocorre em meio à ampliação das negociações com o FMI e o Banco Mundial. Venezuela, Argentina, Bolívia e Colômbia participam de diferentes operações financeiras, enquanto o Brasil mantém projetos próprios com a instituição.
Donald Trump discursa diante de um microfone, com bandeiras dos Estados Unidos ao fundo, em imagem que ilustra matéria sobre Trump e América Latina.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso. A aproximação de governos latino-americanos com Washington ocorre em meio a negociações de financiamento com o FMI e o Banco Mundial. (Imagem: Reprodução.)

A aproximação de governos latino-americanos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está redesenhando parte das relações políticas da região com Washington. Nesse cenário, Trump e América Latina ganham destaque nas discussões internacionais, enquanto países negociam bilhões de dólares em financiamentos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

A mudança ganhou destaque durante as reuniões anuais das instituições, realizadas em outubro de 2026, em Bangcoc, na Tailândia. Representantes dos organismos relataram maior procura por financiamento e orientação econômica, mas afirmaram que as decisões sobre crédito não seguem critérios de alinhamento político.

Venezuela retoma relações com Banco Mundial após anos de afastamento

A Venezuela representa uma das mudanças institucionais mais significativas. Em abril de 2026, o Banco Mundial confirmou a retomada das relações com o governo de Delcy Rodríguez, interrompidas em 2019. O último empréstimo concedido ao país havia ocorrido em 2005.

Em maio, uma delegação liderada por Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para América Latina e Caribe, visitou Caracas para discutir possíveis áreas de cooperação técnica. A visita marcou a retomada do diálogo, sem anúncio de novo financiamento aprovado.

Segundo as informações divulgadas durante as reuniões de outubro, a Venezuela poderá receber até US$ 5 bilhões nos próximos dois anos, desde que regularize atrasos com outros credores multilaterais. O valor permanece condicionado, sem prazo confirmado para liberação.

Argentina, Bolívia e Colômbia avançam em negociações econômicas

Na Argentina, governada por Javier Milei, o Banco Mundial teria apoiado uma operação comercial de até US$ 2 bilhões, por meio de garantias destinadas a reduzir riscos para credores privados. Esse mecanismo difere de um empréstimo direto ao governo.

Na Bolívia, o governo de Rodrigo Paz obteve, segundo o material divulgado, um programa de US$ 1,9 bilhão em outubro de 2026, em meio à crise econômica e à revisão de subsídios aos combustíveis.

Já na Colômbia, sob a Presidência de Abelardo de la Espriella, as negociações incluem operações voltadas à eficiência dos gastos públicos, energia e saúde, ainda sem valores divulgados. Barbados também participa de discussões sobre financiamento para regulação de pagamentos e serviços digitais governamentais.

Trump e América Latina têm aproximações diferentes com bancos globais

O Brasil não aparece entre os países destacados no material pela aproximação política com Donald Trump, mas mantém operações com o Banco Mundial. Essa distinção permite compreender que a relação dos governos latino-americanos com as instituições financeiras não depende necessariamente de alinhamento com Washington.

Em setembro de 2026, a instituição aprovou US$ 175 milhões para modernizar e eletrificar travessias aquáticas em São Paulo, dentro de uma parceria público-privada de US$ 460 milhões.

O projeto prevê 45 novas embarcações, sendo 41 totalmente elétricas, além da construção ou modernização de mais de 20 terminais. A aprovação da operação brasileira não estabelece relação causal com as negociações conduzidas pelos demais países.

Crescimento regional moderado acompanha reaproximação financeira

O Banco Mundial projetou crescimento de 2,2% para a América Latina e o Caribe em 2026, diante de 2,4% em 2025. Já o FMI estimou expansão de 2,1% para a América do Sul em 2026 e de 2,4% em 2027, utilizando uma abrangência geográfica diferente.

As projeções acompanham um cenário em que governos buscam recursos e cooperação econômica, enquanto instituições multilaterais destacam riscos fiscais e de endividamento.

Na relação entre Trump e América Latina, a Venezuela ainda depende da regularização de pendências com credores multilaterais para avançar no possível financiamento mencionado durante as reuniões. Não há data confirmada para a aprovação ou liberação desses recursos.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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