Lula e Flávio Bolsonaro expõem disputa desigual entre redes sociais e votos

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final do segundo turno de 2026 com vantagens em indicadores diferentes. Lula lidera o Índice de Popularidade Digital da Quaest, enquanto Flávio aparece à frente entre eleitores não alinhados ao petismo e ao bolsonarismo, segundo o Datafolha.
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem lado a lado em montagem fotográfica sobre a disputa presidencial de 2026, marcada por diferenças entre popularidade digital e intenção de voto.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições de 2026, com desempenhos distintos nas redes sociais e nas pesquisas eleitorais. (Imagem: Sergio Lima e Evaristo Sá/AFP via Getty Images.)

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final da eleição presidencial de 2026 com vantagens em indicadores diferentes. Enquanto o presidente ultrapassou o senador no Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest, o candidato do PL aparece à frente entre os eleitores que não se identificam com o petismo nem com o bolsonarismo, segundo o Datafolha.

O contraste coloca em evidência um grupo decisivo para compreender a pesquisa eleitoral: os eleitores não alinhados não são necessariamente indecisos. Eles podem rejeitar a identificação com os dois campos políticos e, ainda assim, já ter escolhido um candidato.

Flávio lidera entre eleitores não alinhados, segundo Datafolha

Na pesquisa realizada em 13 e 14 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro registrou 59% dos votos válidos entre eleitores não alinhados, contra 41% de Lula. A margem de erro para esse segmento é de cinco pontos percentuais.

Na rodada anterior, divulgada em 8 de outubro, o senador tinha 58% e o presidente, 42%, também entre os não alinhados. A pequena oscilação entre os levantamentos não permite concluir que houve uma mudança significativa na preferência desse eleitorado.

O Datafolha classifica como não alinhados os entrevistados que se posicionam no centro de uma escala de identificação política ou declaram não se identificar com ela. Portanto, a categoria não representa exclusivamente pessoas que ainda estão escolhendo em quem votar.

Essa distinção impede interpretar a vantagem de Flávio como uma liderança entre indecisos, já que a pesquisa considera preferências declaradas por eleitores sem identificação com os dois campos.

Lula ultrapassa Flávio no índice de popularidade digital da Quaest

Nas plataformas digitais, a posição dos candidatos é diferente. Entre 4 e 15 de outubro de 2026, Lula avançou de 70,7 para 82,6 pontos no IPD da Quaest, enquanto Flávio passou de 80 para 76,4 pontos.

O índice reúne indicadores de presença, visibilidade, engajamento, mobilização, reações e interesse do público. Sua metodologia considera diferentes dimensões da atuação digital, não apenas a quantidade de publicações, curtidas ou seguidores.

A recuperação do presidente nesse indicador ocorreu durante o segundo turno, período em que sua campanha também intensificou as publicações no Instagram, conforme levantamento do g1 com dados coletados até 14 de outubro.

Na campanha, Lula somou 182,1 milhões de curtidas e comentários no Instagram, contra 81,8 milhões de Flávio, segundo o g1. Os totais refletem o conjunto de publicações analisadas, não o número de pessoas diferentes que interagiram com cada candidato.

Pesquisa nacional revela outro recorte da disputa presidencial

No levantamento nacional do Datafolha, realizado em 13 e 14 de outubro, Flávio Bolsonaro apareceu com 51% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 49%. Os candidatos estavam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

A pesquisa ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00466/2026.

A diferença entre o resultado nacional e o desempenho entre não alinhados é relevante porque os percentuais representam universos estatísticos distintos. O primeiro considera todos os eleitores pesquisados; o segundo, apenas aqueles classificados fora dos dois campos políticos.

O IPD da Quaest acrescenta uma terceira dimensão, relacionada à presença e à repercussão dos candidatos nas plataformas. Como os levantamentos não acompanham individualmente a relação entre exposição digital e escolha eleitoral, não é possível atribuir mudanças de voto ao desempenho nas redes.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a vantagem de Flávio entre os não alinhados não deve ser confundida com uma liderança entre indecisos. O Datafolha identifica a preferência desse segmento, mas os resultados apresentados não informam quantos desses eleitores ainda poderiam mudar de voto.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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