A sala secreta Willer Tomaz, encontrada pela Polícia Federal em um hangar no Aeroporto de Brasília, tinha máquina de contar dinheiro, malas e prateleiras, mas nenhum valor em espécie. A descoberta levantou uma questão ainda sem resposta: para que o compartimento era efetivamente utilizado?
A defesa do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirma que o espaço funcionava como apoio operacional para empresas de transporte de valores. A PF investiga a suspeita de que a estrutura tenha sido utilizada para guardar dinheiro.
Sala secreta Willer Tomaz foi descoberta após denúncia anônima
A descoberta ocorreu em agosto de 2026, depois que uma denúncia anônima apontou a existência de um compartimento oculto em um hangar que já havia sido alvo de busca policial.
Os agentes localizaram uma porta aparentemente blindada atrás de um painel de madeira. A sala continha equipamentos de contagem de dinheiro e objetos de armazenamento, mas nenhuma quantia em espécie foi encontrada durante a inspeção.
A ausência de dinheiro impede afirmar, com base apenas nessa diligência, que recursos tenham sido armazenados no local. Também não comprova que a estrutura nunca tenha sido utilizada para essa finalidade.
Transporte de valores exige autorização e capital mínimo
A explicação apresentada pela defesa pode ser examinada à luz das regras brasileiras de segurança privada.
Segundo orientações divulgadas pela Polícia Federal em julho de 2026, empresas especializadas em transporte de numerário, bens ou valores precisam de autorização de funcionamento e devem cumprir requisitos específicos de estrutura e fiscalização.
Entre essas exigências está o capital social mínimo integralizado de R$ 2,92 milhões, conforme a orientação oficial consultada para empresas especializadas em transporte de valores.
Esse requisito não significa que a existência de uma sala-cofre seja irregular. Tampouco permite concluir que as empresas ligadas a Willer Tomaz tenham descumprido a regulamentação.
A questão ainda não esclarecida publicamente é quais empresas e operações específicas estavam vinculadas ao compartimento.
Registros de aeronaves podem esclarecer movimentações investigadas
Durante a Operação Sem Desconto, a PF apreendeu quatro aeronaves ligadas a empresas de Willer Tomaz, além de recolher documentos relacionados à atividade aérea.
Listas de passageiros e diários de bordo podem ajudar a reconstruir deslocamentos e identificar usuários das aeronaves. Esses registros, porém, não comprovam isoladamente transporte irregular de dinheiro.
Em investigação distinta, segundo reportagem da CNN Brasil publicada em 20 de outubro de 2026, a PF identificou movimentação bancária de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 em uma conta de Willer Tomaz.
O valor corresponde à movimentação financeira mencionada naquela apuração. Não há comprovação, nas informações apresentadas, de que tenha passado pela sala encontrada no Aeroporto de Brasília.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são investigados em outro inquérito no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro.
O senador não foi alvo da busca que revelou a sala-cofre. Também não há demonstração pública de que tenha utilizado o compartimento ou participado de eventuais operações realizadas ali.
Ambos afirmam manter uma relação de amizade, sem negócios conjuntos. A defesa de Willer Tomaz nega qualquer finalidade criminosa para a estrutura e sustenta que os equipamentos encontrados são compatíveis com serviços prestados a empresas de transporte de valores.
A finalidade efetiva da sala secreta de Willer Tomaz permanece sem conclusão pública. Sua apuração depende da análise dos documentos, das imagens e dos demais elementos recolhidos pela Polícia Federal.