Golpistas criam falsa Polícia Federal; veja como identificar a fraude antes do prejuízo

Operação da Interpol encontrou uma falsa estrutura da Polícia Federal usada para convencer vítimas durante videochamadas. O caso revela como esse tipo de golpe funciona e quais sinais exigem atenção.
Policiais durante operação da Interpol que desarticulou grupo que usava uma falsa estrutura da Polícia Federal para aplicar golpes em Essuatíni.
Operação First Light encontrou uma falsa estrutura da Polícia Federal em Essuatíni, usada por criminosos para enganar vítimas durante videochamadas.(Imagem:Divulgação, Interpol).

Uma operação da Interpol desmantelou em Essuatíni, país da África Austral, uma organização criminosa que havia criado uma falsa estrutura da Polícia Federal (PF) para aplicar golpes financeiros. O grupo montou uma réplica de uma delegacia, com uniformes, placas e equipamentos falsos, e usava videochamadas para convencer vítimas de que participavam de uma investigação oficial.

Segundo a investigação, os criminosos informavam que a vítima estava envolvida ou corria risco de ser alvo de um crime. Em seguida, alegavam que o dinheiro precisava ser transferido para uma conta segura enquanto a suposta apuração era realizada. Depois da transferência, os valores eram desviados pela organização criminosa, que utilizava a credibilidade da falsa estrutura para reduzir a desconfiança das vítimas.

Durante a ação, os policiais apreenderam 240 dispositivos eletrônicos, dinheiro em espécie e todo o material usado para reproduzir uma unidade da Polícia Federal. As investigações também apontaram que o grupo atuava em jogos de azar on-line ilegais, lavagem de dinheiro e golpes de falsificação de identidade.

O que o caso ensina para quem recebe contatos em nome de autoridades

Embora o esquema tenha sido descoberto na África, o método usado pelos criminosos serve de alerta para qualquer pessoa que receba ligações, mensagens ou videochamadas em nome de órgãos públicos. O objetivo dessas fraudes é criar um ambiente de urgência para que a vítima tome decisões sem tempo para verificar a informação.

Alguns sinais ajudam a identificar esse tipo de abordagem. A Polícia Federal não solicita depósitos ou transferências para proteger dinheiro durante investigações, e pedidos de pagamento imediato, pressão psicológica ou exigência de sigilo são motivos para interromper a conversa. Em caso de dúvida, a recomendação é encerrar o contato e buscar confirmação diretamente pelos canais oficiais da instituição.

Operação alcançou quase cem países

A descoberta da falsa delegacia ocorreu durante a Operação First Light 2026, realizada entre 15 de janeiro e 30 de abril. A ofensiva reuniu autoridades de 97 países e territórios, incluindo China, Singapura, Omã e Tailândia, para combater golpes de engenharia social e esquemas de lavagem de dinheiro.

Ao todo, 5.811 pessoas foram presasUS$ 293 milhões em ativos ilícitos foram apreendidos e mais de 142 mil vítimas foram identificadas ao longo das investigações. Para a Interpol, a operação mostra que organizações criminosas seguem investindo em técnicas cada vez mais elaboradas para explorar a confiança das pessoas e aumentar as chances de sucesso das fraudes.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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