Assaltos a ônibus em Fortaleza caem pelo segundo ano seguido; veja o que mudou

Ônibus do transporte coletivo de Fortaleza ilustra a queda dos assaltos registrada em 2025 e no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Sindiônibus.
Ônibus do transporte coletivo circula em Fortaleza durante período de queda dos assaltos registrada em 2025 e no primeiro semestre de 2026.
Dados do Sindiônibus mostram redução dos assaltos a ônibus em Fortaleza em 2025 e nova queda no primeiro semestre de 2026.(Imagem: Divulgação/Etufor).

Quem depende de ônibus para trabalhar, estudar ou se deslocar em Fortaleza passou a enfrentar um risco menor de assaltos nos coletivos. Depois de uma queda histórica registrada em 2025, os casos continuaram diminuindo em 2026. Entre janeiro e junho deste ano foram contabilizados 31 assaltos, contra 52 no mesmo período de 2025, uma redução de 40,38%, segundo dados da Gerência de Operações (Geope), do Sindiônibus.

O resultado reforça uma tendência iniciada no ano passado. Após registrar 374 assaltos em 2024, o sistema encerrou 2025 com 103 ocorrências, uma queda de 72,46%. Embora os ataques não tenham sido eliminados, os números indicam uma mudança no cenário da segurança do transporte coletivo da capital.

O que explica a redução dos assaltos

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), a redução é resultado da combinação de diferentes medidas adotadas ao longo dos últimos anos. A principal delas foi a implantação do autoatendimento, iniciada em 2019, que reduziu significativamente a circulação de dinheiro dentro dos ônibus.

Segundo o gerente de Operações do Sindiônibus, João Luísa retirada do dinheiro dos coletivos diminuiu o interesse de criminosos por esse tipo de alvo, ao mesmo tempo em que o compartilhamento de informações sobre cada ocorrência permitiu às forças de segurança ajustar as estratégias de policiamento.

Ele também atribui parte do resultado às operações voltadas ao combate ao roubo de celulares, crime frequentemente associado aos assaltos em ônibus. Para o setor, a combinação dessas iniciativas tornou o transporte coletivo mais seguro para passageiros e trabalhadores.

Queda se mantém durante todo o primeiro semestre

Outro dado que chama atenção é a estabilidade da redução ao longo de 2026. Nenhum mês registrou mais de nove assaltos. Janeiro teve cinco ocorrências; fevereiro e março, seis cada; abril contabilizou nove; maio registrou apenas um caso; e junho encerrou o período com quatro registros.

Para o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, os indicadores demonstram uma evolução importante no enfrentamento desse tipo de crime, embora a meta continue sendo eliminar as ocorrências. Segundo ele, cada assalto representa risco para passageiros, motoristas e demais profissionais que trabalham no transporte coletivo.

Como os dados ajudam a reforçar a segurança

Sempre que ocorre um assalto ou furto em um ônibus, as empresas registram boletim de ocorrência e repassam as informações à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e ao Comando de Policiamento da Capital, que utilizam esses dados para definir estratégias de policiamento e concentrar ações nos locais de maior incidência.

Para quem utiliza ônibus diariamente, a continuidade da queda não significa que o risco desapareceu, mas indica que as medidas adotadas vêm reduzindo a frequência desse tipo de crime, aumentando a sensação de segurança e fornecendo informações que ajudam as autoridades a direcionar o combate à criminalidade no transporte coletivo.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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