Uma recusa de aluguel terminou em ameaças, tiros contra uma residência e expulsão de moradoras na comunidade do Barreirão, no bairro Cajazeiras. O episódio levou à investigação que resultou na prisão da mulher conhecida como Bibi Perigosa em Fortaleza, suspeita de ordenar a retirada forçada das vítimas de suas casas.
Segundo documentos policiais divulgados pelo Diário do Nordeste, mãe e filha teriam sido coagidas a alugar partes superiores de seus imóveis para pessoas ligadas a uma facção criminosa. As duas recusaram porque uma locação anterior havia sido acompanhada de confrontos armados na região.
Recusa de aluguel terminou com tiros e ameaça de expulsão
Na terça-feira (20), uma residência das vítimas foi atingida por disparos de arma de fogo. Uma pichação no muro determinava que os ocupantes deixassem o imóvel em 24 horas.
As moradoras ficaram assustadas e abandonaram suas casas, conforme os relatos reunidos na investigação. A polícia apura se a ordem partiu da mulher conhecida como Bibi Perigosa, apontada como liderança do grupo criminoso Massa Carcerária.
A investigada negou ter determinado as expulsões. A responsabilidade criminal ainda depende da conclusão das investigações e das decisões judiciais cabíveis.
Prisão de Bibi Perigosa em Fortaleza ocorreu no bairro Messejana
A suspeita, de 35 anos, foi presa em flagrante na quinta-feira (22), no bairro Messejana, por equipes da Polícia Civil do Ceará, com apoio da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Segundo a corporação, a prisão ocorreu por suspeita do crime de domínio social estruturado, previsto na Lei nº 15.358/2026. Na sexta-feira (23), a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva. A decisão não representa condenação.
O jornal O POVO também divulgou informações do auto de prisão segundo as quais a investigada teria determinado a instalação de uma câmera de vigilância em imóvel das vítimas. Após a retirada do equipamento, as ameaças teriam se intensificado.
Ceará soma 151 capturas, mas não divulga número de vítimas no Barreirão
A expulsão de outubro não foi o primeiro episódio de deslocamento forçado registrado no Barreirão em 2026. Em julho, moradores também deixaram suas residências após ameaças atribuídas a integrantes de grupos criminosos.
A comunidade enfrenta uma disputa territorial entre a Massa Carcerária, de origem cearense, e o Comando Vermelho, de origem carioca. A existência de conflitos anteriores não significa que todos tenham ligação com a investigada.
A SSPDS informou que 151 capturas relacionadas a deslocamentos forçados ocorreram no Ceará entre julho de 2025 e outubro de 2026. O número consta de comunicado oficial da Polícia Civil publicado em 23 de outubro.
O balanço contabiliza capturas de suspeitos, não a quantidade de pessoas expulsas. No caso do Barreirão, a secretaria confirmou a saída forçada de moradores, mas não informou quantas vítimas foram atingidas.
A SSPDS mantém um protocolo integrado de enfrentamento ao deslocamento forçado desde julho de 2025. O trabalho envolve mapeamento, monitoramento e prisões de suspeitos.
O caso de Bibi Perigosa em Fortaleza permanece sob investigação. Informações sobre ameaças e deslocamentos forçados podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia 181, serviço que, segundo a Polícia Civil, garante sigilo e anonimato.