A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) defendeu a união nacional após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no domingo (25). Em manifestação divulgada na segunda-feira (26), a entidade reconheceu o resultado das urnas e colocou-se à disposição para colaborar com o novo mandato. Ao mesmo tempo, apresentou duas prioridades econômicas: ajuste fiscal e revisão do fim da escala 6×1.
A posição da Abrasel diante do governo eleito reúne disposição para o diálogo e defesa dos interesses do setor de alimentação fora do lar. A associação pretende manter a interlocução com o Executivo e o Congresso Nacional. Desse modo, leva às discussões questões relacionadas às condições de trabalho e à atividade empresarial.
Paulo Solmucci defende união em torno de um projeto de nação
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, considera que o encerramento da disputa eleitoral deve abrir espaço para uma agenda nacional. Assim, essa agenda seria construída por diferentes setores da sociedade.
“A eleição acabou e o país precisa olhar para frente. Esperamos que o presidente atue para unir a população em torno de um projeto de nação. Nesse esforço, ele contará com a Abrasel”, afirmou Solmucci.
A declaração estabelece a disposição institucional da associação para participar dos debates do próximo mandato, sem representar adesão irrestrita às decisões do governo.
Para a Abrasel, o diálogo deve permitir que as necessidades de empresários e trabalhadores de bares e restaurantes sejam consideradas. Portanto, essas necessidades devem ser incluídas nas discussões sobre os rumos econômicos do país.
Abrasel defende ajuste fiscal e revisão da escala 6×1
Entre as prioridades apresentadas, a entidade considera necessário dar atenção especial ao equilíbrio das contas públicas. O comunicado, entretanto, não detalha medidas fiscais específicas.
Outro ponto é a revisão do fim da escala 6×1. A reivindicação ocorre após o Congresso Nacional promulgar, em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional 141/2026. Essa emenda estabelece a transição para uma jornada com dois dias de descanso semanal remunerado.
Segundo o Senado Federal, a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais após 60 dias da publicação da emenda. Passados mais 12 meses, o limite chegará a 40 horas semanais, sem redução salarial.
A mudança alcança diferentes atividades econômicas e também envolve a organização do trabalho em estabelecimentos que funcionam durante fins de semana e feriados. Exemplos são bares e restaurantes.
Paulo Solmucci manifestou preocupação com as condições aprovadas para a alteração. Na avaliação do dirigente, a mudança poderá levar o Brasil à recessão nos primeiros meses de 2027.
A declaração expressa uma previsão da liderança da Abrasel. O comunicado não apresenta estudo econômico ou projeção de PIB que permita confirmar esse cenário.
Diálogo com o Congresso permanece entre os compromissos da Abrasel
A discussão trabalhista também envolve possibilidades de adaptação previstas na legislação. Conforme o Senado, acordos e convenções coletivas poderão organizar a compensação de jornadas e folgas, desde que respeitados os limites constitucionais.
Para o setor de alimentação fora do lar, compreender essas regras é relevante. Isso acontece porque a distribuição de equipes e a continuidade do atendimento fazem parte da rotina dos estabelecimentos.
A Abrasel destaca que bares e restaurantes estão presentes em todas as cidades brasileiras e figuram entre os grandes empregadores do país. Essa presença nacional fundamenta a importância atribuída pela associação à participação do setor nas decisões econômicas e trabalhistas.
Ao reafirmar sua disposição para colaborar com o presidente eleito, a entidade também confirmou que continuará dialogando com o governo federal e o Congresso Nacional. Além disso, seguirá representando as necessidades de quem empreende e trabalha em bares e restaurantes.