Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado (24) em uma onda de protestos na Europa que reuniu reivindicações econômicas, cobranças políticas e episódios de violência. As manifestações ocorreram na França, Itália, Bélgica, Espanha e Albânia, mas não fazem parte de um movimento organizado em conjunto.
Embora o custo de vida esteja entre as principais preocupações, as mobilizações revelam insatisfações diferentes. A população também exige melhorias na educação, na saúde e na moradia, além da defesa das aposentadorias e do combate à corrupção.
França reúne 410 mil manifestantes e registra quase mil prisões
A França concentrou uma das maiores mobilizações do sábado. Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas participaram dos atos em todo o país, enquanto os sindicatos estimaram um público aproximadamente duas vezes maior.
Em Paris, cerca de 110 mil manifestantes marcharam pacificamente durante boa parte do percurso. Ao final, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar pequenos grupos de jovens encapuzados.
Os confrontos também atingiram Marselha, onde manifestantes incendiaram latas de lixo e lançaram objetos contra policiais. Em Lyon e Pau, as forças de segurança recorreram ao gás lacrimogêneo.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, informou que quase mil pessoas foram presas. A operação de segurança contou com 70 mil policiais e agentes especiais mobilizados, conforme anúncio feito na sexta-feira (23).
As manifestações francesas começaram com reivindicações de estudantes por melhorias na educação pública e ganharam dimensão nacional, incluindo cobranças por mais recursos para serviços públicos.
Itália, Espanha e Albânia levam demandas diferentes às ruas
Na Itália, o aumento das despesas das famílias, os combustíveis e as condições de emprego estão entre as principais reclamações. Caminhoneiros, agricultores e metalúrgicos também organizaram bloqueios.
Em Milão, a manifestação ocorreu sem confrontos registrados. Já em Turim, policiais utilizaram cassetetes e escudos para conter participantes que tentavam avançar pelo centro da cidade.
Na Espanha, aproximadamente 25 mil pessoas participaram de uma marcha em Madri para defender as aposentadorias públicas. O ato aconteceu a um mês das eleições legislativas e terminou sem incidentes.
Na Albânia, as manifestações assumiram caráter político. Participantes exigiram a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de corrupção. Em Tirana, houve confronto entre manifestantes e policiais.
A Bélgica também registrou mobilizações relacionadas ao custo de vida e à deterioração dos serviços públicos.
Dívida pública supera 100% do PIB em quatro países
Além das reivindicações sociais, os protestos na Europa acontecem em um contexto de endividamento elevado em parte dos países envolvidos.
Segundo o Eurostat, no segundo trimestre de 2026, a dívida pública correspondia a 139,9% do PIB da Itália, 119,1% da França, 110,2% da Bélgica e 101,4% da Espanha.
Os percentuais representam uma relação entre o estoque da dívida e a produção econômica anual de cada país. Não indicam, isoladamente, quanto os governos podem gastar, mas ajudam a contextualizar o debate sobre financiamento de serviços públicos.
Na França e na Bélgica, os déficits públicos também superaram o limite de referência de 3% do PIB previsto nas regras fiscais da União Europeia, segundo os indicadores de 2025 apresentados na cobertura original.
Na França, o governo enfrenta cobranças por investimentos em escolas e serviços públicos enquanto busca controlar os gastos e o endividamento. O impasse entre essas demandas permanece no centro das manifestações.