O Governo do Ceará determinou a abertura de uma investigação disciplinar para apurar a conduta de policiais que preservaram parte da plantação com 290 mil pés de maconha encontrada durante uma megaoperação da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) em Acopiara. A decisão foi anunciada após denúncias sobre possíveis falhas na custódia do local da ocorrência.
O caso envolve uma área de aproximadamente três hectares, onde foram localizados 160 mil pés da planta em cultivo e outros 130 mil já colhidos. Embora parte da plantação tenha sido destruída durante a operação, a maior parte do material permaneceu na área, situação que motivou questionamentos e a abertura das apurações administrativas.
A mudança de foco transforma uma operação inicialmente marcada pelo volume recorde da apreensão em um caso de controle interno das forças de segurança. Agora, além da investigação sobre os responsáveis pelo cultivo ilegal, o Estado busca esclarecer se os procedimentos adotados após a descoberta da plantação seguiram os protocolos exigidos para a preservação de locais de crime.
A decisão também amplia o peso institucional do episódio porque coloca sob análise a atuação dos próprios agentes públicos envolvidos na ocorrência. O governo afirma que a apuração ocorrerá de forma independente e que eventuais responsabilidades serão tratadas conforme a legislação disciplinar.
Investigação mira procedimentos adotados após a operação
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que instaurou imediatamente um inquérito para investigar denúncia de falha nos procedimentos de custódia do local onde a droga foi encontrada.
Segundo a pasta, qualquer irregularidade será apurada, com identificação dos responsáveis e eventual aplicação das sanções previstas em lei.
Na sequência, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) informou que, por determinação direta do governador Elmano de Freitas (PT), abriu procedimento disciplinar específico para avaliar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação da área.
O que foi encontrado na plantação em Acopiara
Durante a ofensiva da Polícia Civil, aeronaves e drones foram utilizados para localizar e dimensionar a extensão do cultivo, instalado em uma região isolada do município.
Entre os principais resultados da operação estão:
- 290 mil pés de maconha identificados na propriedade;
- 160 mil plantas em fase de cultivo e 130 mil já colhidas;
- localização de um acampamento clandestino, com alimentos e utensílios utilizados pelos ocupantes da área.
Até o momento, nenhum suspeito foi preso. A investigação continua para identificar os responsáveis pelo plantio e verificar se o cultivo mantinha ligação com alguma organização criminosa.
Caso amplia pressão sobre protocolos das forças de segurança
Embora a operação represente uma das maiores descobertas de plantação de maconha já registradas no Ceará, o principal desdobramento agora passa a ser a verificação dos procedimentos adotados após a localização da área.
A SSPDS destacou que as forças de segurança mantêm ações permanentes contra o tráfico de drogas. Segundo o órgão, apenas nos cinco primeiros meses deste ano foram apreendidas duas toneladas de entorpecentes, 859 suspeitos de envolvimento com organizações criminosas foram presos, aumento de 19,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, e R$ 3,3 bilhões ligados ao crime organizado tiveram bloqueio judicial a partir de representações da Polícia Civil.
Com a abertura simultânea do inquérito da SSPDS e do procedimento disciplinar da CGD, o caso deixa de envolver apenas o combate ao tráfico e passa a incluir a análise da atuação estatal durante uma das maiores operações antidrogas realizadas recentemente no Ceará.