André Mendonça recebe nova equipe da PF em caso que envolve INSS e Lulinha

André Mendonça recebeu a nova equipe da PF no caso INSS após troca na chefia do inquérito que alcançou Lulinha e passou à coordenação de tribunais superiores.
Ministro André Mendonça recebeu nova equipe da PF no caso das fraudes do INSS
André Mendonça recebeu novos delegados da PF após mudança na chefia da investigação sobre fraudes no INSS. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça recebeu nesta sexta-feira (15/05) os novos delegados responsáveis pela investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Isso ocorreu após a Polícia Federal (PF) trocar a chefia do inquérito e deslocar o caso para a coordenação de tribunais superiores.

A mudança atinge a equipe que conduzia o caso desde julho do ano passado, incluindo o delegado Guilherme Figueiredo Silva. Além disso, foi sob sua gestão que a PF pediu ao STF a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A reunião ocorreu no gabinete de André Mendonça e durou cerca de duas horas, segundo apuração divulgada pelos jornalistas Cesar Feitosa e Raquel Landim, do SBT News. Além disso, o encontro também tratou de atualizações sobre o caso INSS e as investigações ligadas ao Banco Master.

A alteração muda o nível de interlocução do inquérito dentro da PF. Isso porque a apuração deixa a estrutura voltada às fraudes previdenciárias e passa para a área que concentra casos submetidos a tribunais superiores. Nessa área também circulam investigações de maior impacto político e financeiro.

André Mendonça caso INSS: PF muda estrutura da apuração

A versão formal apresentada internamente na PF é de que houve uma adequação administrativa. O argumento usado é que a investigação deveria tramitar em outra coordenação por envolver fatos já submetidos ao STF.

Nos bastidores, porém, a condução do delegado Guilherme Figueiredo Silva gerava incômodo desde que a investigação passou a alcançar pessoas próximas ao presidente Lula. O principal foco de tensão foi o avanço do inquérito sobre Lulinha.

A investigação ganhou dimensão política após a PF solicitar ao STF:

  • quebra de sigilo bancário;
  • quebra de sigilo fiscal;
  • quebra de sigilo telemático;
  • análise de relações com investigados do caso INSS.

O nome de Lulinha passou a aparecer em meio às apurações sobre a relação dele com o chamado “Careca do INSS”, personagem citado no escândalo envolvendo descontos indevidos e suspeitas de fraudes previdenciárias.

Caso INSS passa para área ligada a tribunais superiores

O deslocamento interno altera a forma como o inquérito será acompanhado dentro da Polícia Federal. Agora, a investigação deixa de ficar vinculada apenas ao eixo de fraudes contra beneficiários do INSS. Por isso, passa para uma coordenação que lida com procedimentos em tribunais superiores.

Essa mudança também aproxima administrativamente o caso INSS da estrutura que acompanha apurações sobre o Banco Master. Os dois inquéritos estiveram na pauta da reunião entre os novos investigadores e André Mendonça.

Segundo a apuração do SBT News, a troca surpreendeu integrantes do gabinete do ministro porque ocorreu enquanto medidas já autorizadas pelo Supremo estavam em andamento. O dado aumenta a relevância da reunião, que serviu para apresentar a nova equipe e atualizar o relator sobre os casos.

Troca na PF amplia custo político do caso

A investigação do INSS passou a ser usada politicamente contra o governo Lula nos últimos meses. Isso se intensificou especialmente após a revelação das medidas envolvendo o filho do presidente.

Integrantes do governo veem o caso como um dos fatores que recolocaram suspeitas de corrupção no ambiente político da gestão petista. Esse contexto se dá em meio à CPMI do INSS e ao desgaste provocado pelas denúncias de fraudes previdenciárias.

A troca na chefia não encerra as medidas já autorizadas por André Mendonça. No entanto, o efeito concreto é outro: a PF muda a equipe responsável pelo inquérito, enquanto o caso segue sob supervisão do Supremo. Assim, mantém no mesmo radar institucional as apurações sobre INSS, Lulinha e Banco Master.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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