Cláudio Castro vira alvo da PF por R$ 3 bi do Rioprevidência no Banco Master

Cláudio Castro virou alvo da PF na Compliance Zero, que apura R$ 3 bi do Rioprevidência aplicados no Banco Master.
Ex-governador do Rio, Cláudio Castro virou alvo da Polícia Federal em nova fase da Operação Compliance Zero, que apura aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master. (Foto: Agencia Brasil)

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26/5) a 8ª fase da Operação Compliance Zero e colocou Cláudio Castro entre os alvos de uma investigação sobre aportes públicos do Rio de Janeiro no Banco Master. A apuração mira aplicações que somam cerca de R$ 3 bilhões.

O dinheiro saiu do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. Agentes cumprem 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso ganhou peso porque envolve recursos previdenciários aplicados em uma instituição financeira já investigada pela PF. A apuração desloca o episódio do campo bancário para uma questão de gestão pública: como dinheiro vinculado a aposentadorias foi exposto em operações agora analisadas na Compliance Zero.

A defesa de Cláudio Castro informou que o ex-governador acompanhava as buscas “com serenidade”. Esta é a segunda vez, em menos de 15 dias, que ele aparece como alvo de uma operação da PF, depois da ação ligada à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

Caso Rioprevidência e Banco Master muda escala da investigação

A nova fase amplia o alcance da Compliance Zero. A apuração sobre o caso Rioprevidência e Banco Master já envolvia cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras. Agora, a PF trabalha com um volume total próximo de R$ 3 bilhões, após identificar novos aportes feitos em diferentes ocasiões.

A diferença entre o valor conhecido inicialmente e o montante agora investigado levou a frente do Rioprevidência para dentro do núcleo principal da operação contra o Banco Master. A investigação, antes concentrada em uma linha específica, passa a integrar o caso mais amplo envolvendo o conglomerado de Daniel Vorcaro.

O ponto sensível está na origem e na finalidade do dinheiro. O Rioprevidência administra recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões, não uma carteira comum de investimento estatal. Por isso, cada decisão de aplicação tem consequência fiscal, administrativa e social.

No centro da apuração estão:

  • R$ 3 bilhões em aportes públicos sob investigação;
  • 235 mil aposentados e pensionistas ligados ao fundo;
  • 10 mandados cumpridos por ordem do STF;
  • aplicações em letras financeiras do Banco Master.

Aportes do Rioprevidência elevam alerta sobre dinheiro previdenciário

Parte das aplicações investigadas envolve letras financeiras, instrumento que não conta com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse detalhe tornou o caso mais sensível, porque eventual perda ou dificuldade de recuperação dos valores recairia sobre um fundo previdenciário estadual.

A PF busca entender quem autorizou os aportes do Rioprevidência, quais critérios sustentaram as operações e se houve irregularidade na escolha dos produtos financeiros. A investigação ainda depende da análise do material apreendido e de documentos vinculados às decisões do fundo.

O avanço da apuração também leva o caso para o campo da governança pública. Quando um fundo previdenciário aplica bilhões em ativos sem garantia do FGC, a questão deixa de ser apenas rentabilidade e passa a envolver controle, transparência e responsabilidade sobre dinheiro público.

Investigação do Banco Master amplia desgaste de Cláudio Castro

Cláudio Castro já havia sido alvo da PF em 15 de maio, na Operação Sem Refino, que apura supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit. A nova ação, agora ligada aos recursos do Rioprevidência, adiciona outra frente de desgaste institucional ao ex-governador.

O momento político também pesa. Castro está inelegível por decisão da Justiça Eleitoral e tentava manter espaço para disputar o Senado. A sucessão de operações federais amplia o custo público em torno de seu nome, ainda que a investigação não represente condenação.

Até aqui, a PF apura a cadeia de decisões que levou dinheiro previdenciário do Rio ao Banco Master. O caso não autoriza conclusão antecipada sobre responsabilidade criminal, mas já expõe uma pergunta de interesse público: por que bilhões vinculados a aposentadorias estaduais foram direcionados a aplicações hoje sob investigação federal?

Para o Rio de Janeiro, o efeito imediato é obrigar o Estado a explicar a governança das aplicações previdenciárias, o nível de risco aceito e os controles usados para autorizar operações bilionárias fora da proteção do FGC.

A investigação do Banco Master contra o ex-governador Claudio Castro transformou o Rioprevidência em uma das frentes mais sensíveis da Compliance Zero. O caso testa a capacidade do poder público de demonstrar como protege recursos previdenciários quando decide aplicá-los em produtos financeiros de maior risco.

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Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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