Justiça mantém impasse em área da Marinha sob sombra do Comando Vermelho

A Justiça Federal negou pedido da AGU para retirar ocupações no entorno do Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio. A decisão mantém sem reintegração uma área próxima à Marinha e apontada no processo como sob influência do Comando Vermelho.
Hospital Naval Marcílio Dias ao lado de imagem associada ao Comando Vermelho em montagem sobre decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro.
Justiça Federal negou pedido da União para reintegração de posse em área próxima ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins, zona norte do Rio. (Foto: Editorial)

A Justiça Federal negou pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para retirar ocupações instaladas no entorno do Hospital Naval Marcílio Dias, no bairro do Lins, zona norte do Rio de Janeiro. A decisão manteve sem reintegração uma área federal próxima a uma estrutura importante da Marinha, em região apontada no processo como sob influência do Comando Vermelho.

A ação foi apresentada pela AGU em julho de 2024 contra a Prefeitura do Rio de Janeiro. O órgão afirmou que o espaço ao lado do muro da unidade militar vinha sendo ocupado irregularmente, com ligações clandestinas de água e energia, descarte de dejetos e risco sanitário.

O processo ganhou peso porque a própria tramitação revelou obstáculos concretos à atuação do Estado. Intimações judiciais deixaram de ser cumpridas no local por questões de segurança, o que deslocou o caso para além de uma disputa administrativa sobre ocupação irregular.

Na prática, a decisão mantém a União sem a posse pretendida e deixa pendente uma solução para uma área sensível. O impasse envolve patrimônio federal, segurança pública, saúde militar e a presença do crime organizado no entorno de uma unidade hospitalar da Marinha.

Decisão cita área inacessível ao Judiciário perto do Hospital Naval Marcílio Dias

Ao analisar o processo, a juíza Mariana Tomaz da Cunha afirmou que a controvérsia “transcende o conflito fundiário”. A magistrada destacou a existência de um cenário de “total inacessibilidade da região pela esfera civil do Poder Judiciário”.

O entendimento foi reforçado por documentos anexados aos autos. Segundo os registros citados na decisão, a área não se caracterizaria como ocupação produtiva voltada à moradia de população vulnerável.

Os pareceres apontaram que o espaço estaria vinculado a construções usadas em atividades relacionadas ao comércio de drogas. Esse ponto tornou o caso mais sensível porque colocou a Justiça diante de um problema que não se resolve apenas com uma ordem de retirada.

Processo reuniu União, Prefeitura, Marinha e órgãos de segurança

Durante a tramitação, representantes da União, da Prefeitura do Rio, da Marinha, da Defensoria Pública da União, do Ministério Público e da Polícia Militar participaram de audiência de conciliação em março deste ano.

A presença de diferentes órgãos mostrou que o processo passou a exigir coordenação institucional. O caso deixou de envolver apenas a titularidade da área e passou a expor a dificuldade de executar medidas públicas em região sob influência criminosa.

Entre os pontos registrados no processo estão:

  • ocupações irregulares no entorno da unidade militar;
  • ligações clandestinas de água e energia;
  • descarte de dejetos em direção ao hospital;
  • risco sanitário para a estrutura federal;
  • dificuldade de cumprimento de intimações por razões de segurança.

Como providência imediata, a Justiça determinou que a Prefeitura do Rio apresente um plano de limpeza para o local em conjunto com a Comlurb. A medida é o único encaminhamento concreto definido enquanto a retirada das ocupações segue sem solução definitiva.

Morte de oficial ampliou alerta no hospital da Marinha no Rio

A segurança no entorno do hospital da Marinha no Rio já havia ganhado atenção nacional após a morte da capitã de mar e guerra Gisele Mendes de Souza e Mello, em dezembro de 2024.

A médica militar foi atingida por um disparo na cabeça enquanto participava de uma cerimônia de formatura dentro da unidade hospitalar. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no mesmo dia.

Após o episódio, a Marinha mobilizou blindados para reforçar a proteção de militares, servidores, pacientes e acompanhantes que circulavam pela região. A medida mostrou o nível de preocupação das Forças Armadas com uma área próxima ao Complexo do Lins, afetada pela presença do Comando Vermelho.

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