Fernando Haddad (PT) iniciou oficialmente sua campanha ao governo de São Paulo neste sábado (25) elevando o tom das críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante a convenção do Partido dos Trabalhadores (PT), em Campinas (SP), o ex-ministro da Fazenda afirmou que Tarcísio “não é cobrado por nenhum resultado” e apresentou a gestão estadual como o principal alvo da campanha petista.
O discurso marcou uma mudança de foco em relação às últimas semanas. Em vez de concentrar os ataques apenas em temas nacionais, Haddad passou a direcionar as críticas aos serviços públicos administrados pelo governo paulista, usando como exemplos as privatizações, o transporte sobre trilhos, a educação e a segurança pública.
Ao comentar a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Haddad afirmou que a população enfrenta problemas no abastecimento e reclama do aumento das tarifas. Segundo ele, a água estaria faltando em algumas localidades, chegando suja quando disponível, enquanto a conta segue aumentando, contrariando promessas feitas pelo governo estadual durante o processo de desestatização.
“As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp quanto o metrô, CPTM entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d’água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu”, declarou o pré-candidato.
A Sabesp teve o controle transferido para a iniciativa privada em julho de 2024, em uma operação que movimentou R$ 14,7 bilhões. Já a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não foi privatizada, mas passou por concessões à iniciativa privada. Atualmente, seis das sete linhas em operação são administradas por concessionárias, enquanto a infraestrutura permanece sob responsabilidade do Estado.
Críticas vão além das privatizações
Haddad também direcionou ataques às áreas de educação e segurança pública, argumentando que os resultados da administração estadual deveriam ser mais cobrados durante o debate eleitoral.
“O que é possível disputar com ele, se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado?”, afirmou o petista ao defender que a campanha apresente comparações entre diferentes modelos de gestão para o estado.
A estratégia reforça uma linha que Haddad já vinha adotando nos últimos dias: transformar a avaliação da administração de Tarcísio no principal eixo da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, buscando ampliar o debate para além da polarização nacional.
Convenção confirma chapa
Durante a convenção, o PT também confirmou o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Haddad.
O evento contou ainda com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin e das pré-candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), reforçando o apoio da base governista à candidatura.
Com o discurso de abertura da campanha, Haddad sinaliza que pretende manter a gestão de Tarcísio como o principal tema do debate eleitoral nos próximos meses. As críticas às privatizações e aos serviços públicos devem ocupar espaço central na disputa, enquanto o governador busca defender os resultados de sua administração durante o período de campanha.