O pré-candidato ao Governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que milícias começam a atuar em São Paulo por meio da venda de serviços de segurança privada e responsabilizou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo cenário. As declarações foram feitas durante agendas em Hortolândia e Piracicaba, no interior paulista.
Segundo Haddad, o avanço desse modelo criminoso representa um risco para empresas, transportadores e moradores, especialmente diante do crescimento dos roubos de carga. O petista defendeu uma atuação integrada entre os governos federal e estadual para impedir que o problema avance no estado e comprometa a segurança das atividades econômicas.
Ao levar a segurança pública para o centro da pré-campanha, Haddad amplia o confronto político com Tarcísio em uma área tradicionalmente considerada estratégica nas disputas estaduais. A escolha do tema desloca o debate para um dos principais pontos de cobrança do eleitor paulista, aumentando a pressão sobre os resultados da atual gestão.
O movimento também marca uma mudança na estratégia do petista. Em vez de concentrar as críticas apenas em indicadores de violência, Haddad passou a relacionar a atuação do governo estadual ao risco de fortalecimento de organizações criminosas, transformando Haddad milícias São Paulo em um dos principais eixos de sua narrativa eleitoral.
Haddad afirma que milícias começam a ocupar espaço na segurança privada
Durante agenda em Hortolândia, Haddad afirmou que grupos criminosos estariam lucrando com a oferta de serviços privados de segurança em áreas afetadas pela criminalidade.
“Sabe o que está acontecendo em São Paulo? Está começando a entrar milícias em São Paulo, vendendo serviços de segurança, enriquecendo poucas pessoas, mas empobrecendo a pessoa que tem que contratar a milícia para proteger sua carga”, declarou.
O pré-candidato acrescentou que, sem investimento em inteligência contra o roubo de cargas, São Paulo pode enfrentar um cenário semelhante ao observado no Rio de Janeiro, onde milícias expandiram sua atuação para diferentes atividades econômicas ilegais. A comparação eleva o peso político do debate, já que o avanço desse tipo de organização criminosa é um dos principais desafios da segurança pública fluminense.
Embora a principal ameaça ao crime organizado em São Paulo continue sendo a atuação de facções criminosas, o crescimento de empresas clandestinas de segurança e de esquemas de cobrança por proteção passou a integrar discussões de especialistas e autoridades nos últimos anos. Nesse contexto, a comparação feita por Haddad amplia um debate que vem ganhando espaço nas políticas de segurança, sem significar que a estrutura das milícias paulistas seja equivalente à encontrada no Rio de Janeiro.
Segurança pública vira principal frente de ataque à gestão Tarcísio
Em Piracicaba, Haddad voltou a responsabilizar o governo estadual pelo agravamento da segurança pública e afirmou que São Paulo atravessa um processo que favorece a expansão da segurança privada controlada por grupos criminosos.
Segundo o pré-candidato, “o problema da segurança pública virou um problema crônico no Estado todo” e a atual administração estaria “abrindo a porta para milícias venderem segurança que deixa de ser pública e passa a ser privada”.
Além da crítica direta ao governo, a segurança pública passou a ocupar um espaço central na estratégia eleitoral do petista, que busca disputar um tema historicamente explorado por adversários de centro-direita nas eleições estaduais.
Procurado, o Governo de São Paulo não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Câmeras corporais e letalidade entram no discurso eleitoral
Durante as agendas no interior, Haddad também defendeu a retomada das câmeras corporais com gravação contínua utilizadas por policiais militares durante as ocorrências.
O ex-ministro afirmou que São Paulo registra recordes de letalidade policial e argumentou que o aumento da violência também atinge os próprios agentes de segurança. Segundo ele, mortes de policiais e casos de suicídio na corporação indicam que o modelo atual não protege nem os profissionais nem a população.
O uso de câmeras corporais permanece entre os temas mais debatidos da política de segurança pública em São Paulo, envolvendo decisões administrativas, questionamentos judiciais e discussões sobre redução da letalidade policial e transparência nas operações.
Ao reunir críticas sobre milícias, roubo de cargas, letalidade policial e câmeras corporais, Haddad amplia o foco da disputa eleitoral para além de promessas de campanha. A estratégia busca transformar a gestão da segurança em um dos principais critérios de avaliação do governo Tarcísio, elevando o tema a um dos campos de maior confronto político na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.