Ronaldo Caiado (PSD) oficializou nesta quarta-feira (1º) Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e ex-prefeito de São Paulo, como candidato a vice-presidente em sua chapa para as eleições de outubro. O anúncio, feito na sede nacional do partido, em Brasília, transforma em decisão uma articulação discutida nas últimas semanas e marca a entrada definitiva da legenda na disputa pelo Palácio do Planalto.
A escolha atende a um objetivo que vai além da composição eleitoral. A avaliação da equipe de Caiado é que Kassab poderá ampliar a capacidade de negociação do PSD com partidos do Centrão e lideranças do Congresso, fortalecendo a construção de uma base política para a campanha e uma eventual governabilidade caso a candidatura avance.
Mesmo ocupando espaços estratégicos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PSD sinalizou que pretende seguir um caminho próprio na eleição presidencial. A legenda mantém ministérios na Esplanada, como o da Agricultura e Pecuária, comandado por André de Paula, mas a oficialização da chapa reforça a estratégia de preservar autonomia política na disputa nacional sem romper, neste momento, sua participação na administração federal.
O movimento também altera a dinâmica da pré-campanha. Com a definição da chapa, a direção do PSD passa a concentrar esforços na formação de palanques estaduais, na negociação de alianças regionais e na aproximação com partidos que ainda não definiram seu posicionamento para a eleição, antecipando uma etapa considerada decisiva para ampliar a competitividade de Caiado.
Por que Kassab é considerado um ativo político para Caiado
A escolha de Kassab foi construída a partir de sua influência dentro do PSD e da interlocução que mantém com governadores, prefeitos, parlamentares e dirigentes partidários em diferentes estados. Para integrantes da campanha, esse capital político pode facilitar a construção de acordos e ampliar a presença da candidatura em regiões onde Caiado ainda busca consolidar apoio.
Durante o anúncio, Kassab afirmou que o partido pretende assumir uma postura de oposição ao governo federal.
“Em cada estado estamos efetivamente nos preparando para assumir uma posição de antagonismo com tudo que acontece na República brasileira. Os poderes estão contaminados com ineficiência. O que a gente procura desde 2011 e hoje a gente consolida esse projeto é mostrar que o PSD está preparado para dar as respostas que a sociedade precisa. Temos um pré-candidato que está preparado para governar o país.”
A declaração evidencia uma estratégia de diferenciação política. Embora o PSD mantenha representantes na Esplanada, o discurso da direção nacional busca posicionar o partido como alternativa ao governo Lula, movimento que poderá influenciar as negociações eleitorais nos estados ao longo da campanha.
Estrutura municipal do PSD passa a ser um dos principais trunfos da campanha
Além da articulação nacional, a campanha aposta na capilaridade construída pelo PSD nas eleições municipais de 2024 como um dos principais ativos para ampliar a presença de Caiado pelo país.
Entre os trunfos apresentados pelo partido estão:
- 891 prefeitos eleitos nas eleições municipais de 2024;
- administrações que alcançam 37,3 milhões de brasileiros;
- presença consolidada em municípios de diferentes regiões do país.
Na avaliação da direção do PSD, essa estrutura poderá facilitar a organização da campanha, ampliar a mobilização local e fortalecer a presença do pré-candidato em estados onde seu nível de conhecimento ainda é menor, transformando a força municipal da legenda em um dos pilares da estratégia eleitoral.
Definição da chapa antecipa disputa pelo centro político
Com a oficialização da chapa, Caiado torna-se o segundo pré-candidato a concluir sua composição presidencial para 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declarou que pretende disputar a reeleição mantendo Geraldo Alckmin (PSB) como vice.
A antecipação da definição permite que o PSD concentre sua estratégia na ampliação de alianças e na consolidação de apoios políticos antes da intensificação da campanha. Hoje, esse continua sendo um dos principais desafios da candidatura. Pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira (29), coloca Caiado com 2% das intenções de voto, indicando que o partido ainda precisará converter sua estrutura política em competitividade eleitoral.
Mais do que preencher a vaga de vice, a escolha de Kassab encerra uma etapa da construção da candidatura e abre outra considerada mais complexa: transformar a influência institucional do PSD, sua rede de prefeitos e sua capacidade de articulação em crescimento nas pesquisas e maior espaço na disputa presidencial. Esse será o principal teste da estratégia adotada pelo partido nos próximos meses.