O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai, reuniões bilaterais com os presidentes José Antonio Kast, do Chile, e Rodrigo Paz, da Bolívia, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Os encontros ocorreram em meio ao avanço de governos de direita na América do Sul e reforçam a estratégia brasileira de manter canais de diálogo dentro do bloco.
As reuniões ocorreram paralelamente às atividades oficiais da cúpula, que reuniu chefes de Estado dos países membros e associados do Mercosul. Kast e Paz pertencem a campos políticos diferentes do presidente brasileiro, mas ambos já haviam mantido encontros com Lula nos últimos meses, preservando uma agenda diplomática entre os governos.
O movimento ocorre em um momento de reorganização do cenário político regional. O crescimento de governos conservadores amplia o desafio de construir consensos dentro do Mercosul, especialmente em temas ligados à integração econômica, infraestrutura e coordenação política entre os países do bloco.
Nesse contexto, a agenda bilateral de Lula sinaliza uma tentativa de manter o protagonismo brasileiro por meio da interlocução com diferentes correntes ideológicas. Em cúpulas internacionais, reuniões bilaterais costumam servir para preservar canais diretos de negociação, reduzir desgastes diplomáticos e facilitar futuras articulações entre os países, mesmo quando não produzem anúncios imediatos.
Lula Mercosul: diálogo busca preservar a integração regional
Durante a sessão plenária da cúpula, Lula defendeu que o Mercosul preserve sua autonomia diante das mudanças no cenário internacional. Sem citar países específicos, afirmou que “ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”, defendendo que os integrantes do bloco atuem sem alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes.
O presidente também afirmou que a integração regional deve permanecer acima das divergências ideológicas, posicionamento que ganha relevância diante da nova composição política sul-americana. A articulação entre os governos tem peso porque as principais decisões do Mercosul são construídas por consenso, tornando o diálogo um elemento importante para o avanço das negociações dentro do bloco.
Além das reuniões bilaterais, a cúpula marcou a cerimônia de transferência da presidência temporária do Mercosul do Paraguai para o Uruguai, que ficará responsável por coordenar os trabalhos do bloco durante os próximos seis meses.
Reunião de Lula com Kast e Rodrigo Paz reforça interlocução regional
O encontro com José Antonio Kast sucede uma reunião realizada pelos dois líderes em janeiro, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá. Lula também havia confirmado presença na posse do presidente chileno, em março, mas cancelou a viagem pouco antes da cerimônia.
Já Rodrigo Paz esteve em visita oficial ao Brasil em março, quando foi recebido por Lula nos Palácios do Planalto e do Itamaraty. A manutenção desses encontros demonstra a continuidade da interlocução diplomática entre Brasília, Santiago e La Paz em temas de interesse regional.
Embora não tenham sido anunciados acordos específicos após as reuniões, o contato direto entre os chefes de Estado fortalece os canais institucionais utilizados nas negociações do Mercosul e em outras pautas de integração entre os países sul-americanos.
Nova configuração política amplia o desafio de articulação no Mercosul
A edição deste ano da cúpula ocorreu em um cenário diferente do observado em anos anteriores. Além de Kast e Rodrigo Paz, participaram das atividades outros presidentes identificados com a direita, como Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, refletindo a mudança no equilíbrio político da região após eleições recentes.
Com a presidência temporária agora sob comando do Uruguai, o bloco inicia um novo ciclo de negociações em temas como integração regional, acordos comerciais e coordenação diplomática. Nesse contexto, as reuniões promovidas por Lula em Assunção reforçam a importância da interlocução política para manter o funcionamento do Mercosul diante de governos com diferentes orientações ideológicas.