PF investiga empresas do Porto do Mucuripe com cocaína em carga de cera de carnaúba

Operação Palma apura empresas e trabalhadores ligados ao Porto do Mucuripe após 435 kg de cocaína serem achados em carga de cera de carnaúba.
Tijolos de cocaína apreendidos pela Receita Federal no Porto do Mucuripe, em Fortaleza
Cocaína apreendida no Porto do Mucuripe estava escondida em carga de carnaúba. — (Foto: Receita Federal/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (30/06), uma nova fase da Operação Palma para apurar a suspeita de participação de empresas e trabalhadores do Porto do Mucuripe, em Fortaleza, em um esquema de tráfico internacional de drogas.

Segundo a PF, a investigação identificou indícios envolvendo três empresas e 14 funcionários e prestadores de serviço vinculados a companhias que operam no porto. A suspeita é que essas pessoas tenham facilitado a movimentação de cargas usadas para tentar enviar cocaína ao exterior.

A operação também atingiu o patrimônio dos investigados. Conforme publicado pelo G1, a PF apreendeu veículos de luxo, dez armas de fogo, inclusive de grosso calibre, dinheiro em espécie e determinou o bloqueio de contas bancárias em valor superior a R$ 30 milhões.

Ao todo, a operação cumpriu 20 mandados judiciais. São três mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 12 de busca e apreensão.

Carga de carnaúba escondia cocaína

A nova etapa da Operação Palma dá continuidade à apuração sobre a tentativa de envio de 435 quilos de cocaína para o exterior. A droga teria sido encontrada em fevereiro de 2025 dentro de um contêiner no Porto do Mucuripe, escondida em uma carga de cera de carnaúba.

De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam a possível existência de um esquema estruturado para tráfico internacional de drogas. A investigação apura se a rotina operacional do porto foi usada para viabilizar a exportação dos entorpecentes e ocultar a origem ilícita dos recursos movimentados pelo grupo.

O ponto central da apuração é a suspeita de participação de pessoas com acesso ao ambiente portuário. Para a PF, esse acesso pode ter sido usado para inserir, movimentar ou facilitar a saída da carga contaminada com droga.

Armas, carros de luxo e bloqueio milionário

As diligências também avançaram sobre o núcleo financeiro da organização investigada. A apreensão de carros de luxo, armas e dinheiro em espécie reforça a linha de apuração sobre lavagem de dinheiro e financiamento do grupo criminoso.

Os investigados poderão responder, conforme a conduta atribuída a cada um, por financiamento e integração de organização criminosa, tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, furto, corrupção ativa e passiva e uso de documento falso.

Em nota, o Porto do Mucuripe informou que mantém atuação permanente e integrada com a Polícia Federal e outros órgãos de segurança para impedir o tráfico no local. A administração também afirmou que adota medidas administrativas contra empresas suspeitas de envolvimento.

O Porto disse ainda que investe em segurança, incluindo a modernização do sistema de videomonitoramento.

A PF informou que a investigação continua. A próxima etapa deve identificar outros possíveis envolvidos, aprofundar o rastreamento patrimonial e definir a responsabilidade de cada investigado no esquema apurado.

A nova fase da Operação Palma aumenta a pressão sobre a segurança pública no Ceará, dias após denúncias de falhas na custódia de 290 mil pés de maconha em Acopiara.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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