Milei transforma visita negada a Bolsonaro em ataque ao STF e recebe resposta de Fachin

O STF reagiu às críticas de Javier Milei contra Alexandre de Moraes após o presidente argentino atacar o ministro durante evento do PL, motivado pela negativa de uma visita a Jair Bolsonaro.
Presidente da Argentina, Javier Milei, discursa na convenção do PL em São Paulo, onde criticou o ministro Alexandre de Moraes após ter a visita a Jair Bolsonaro negada.
Javier Milei discursou na convenção do PL em São Paulo e voltou a criticar Alexandre de Moraes após a Justiça negar autorização para visitar Jair Bolsonaro.(Imagem:EFE/Isaac Fontana).

A negativa da Justiça para que o presidente da ArgentinaJavier Milei, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo Brasil acabou provocando um novo atrito institucional neste sábado (25). Durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes, chamou o magistrado de “lixo careca” e afirmou que Bolsonaro está “injustamente encarcerado”. Horas depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) respondeu oficialmente às declarações. 

Em nota, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, classificou a manifestação como uma “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País”, ressaltando que a declaração foi feita em território brasileiro contra um ato jurisdicional praticado conforme a Constituição. O ministro também afirmou que a Presidência do STF “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, reforçando a autonomia do Poder Judiciário. 

O episódio começou após a defesa de Jair Bolsonaro solicitar autorização para que Milei pudesse visitá-lo durante sua agenda em São Paulo. O pedido foi negado por Alexandre de Moraes, decisão que levou o presidente argentino a abordar o tema em seu discurso na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Ao comentar a negativa, Milei afirmou que espera reencontrar Bolsonaro quando “os obstáculos burocráticos forem superados”. Em seguida, comparou a situação do ex-presidente ao período em que Luiz Inácio Lula da Silva recebeu visitas de líderes estrangeiros durante o tempo em que esteve preso, citando o então presidente argentino Alberto Fernández.

O presidente argentino também declarou que a Justiça brasileira não permitiu a visita ao seu “amigo” e afirmou que a decisão seria uma demonstração do que chamou de “caráter vingativo” dos responsáveis pela detenção de Bolsonaro. As declarações elevaram o tom político do evento e motivaram a resposta institucional do STF poucas horas depois. 

Embora críticas entre autoridades sejam comuns no cenário internacional, é incomum que a Presidência do Supremo responda oficialmente a declarações de um chefe de Estado estrangeiro, o que evidencia o peso institucional atribuído às falas de Milei. A manifestação de Fachin buscou reforçar que decisões judiciais brasileiras são tomadas de forma autônoma e devem ser respeitadas independentemente de pressões políticas externas. 

Até o momento, o governo brasileiro não havia divulgado manifestação oficial sobre as declarações do presidente argentino. Já o STF encerrou sua nota reafirmando a independência do Judiciário e defendendo que as relações entre países devem permanecer pautadas pela civilidade institucional, mesmo diante de divergências políticas.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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