A aprovação de Trump segue próxima da mínima histórica, segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira (8). Isso ocorre em um momento em que a economia volta ao centro das preocupações dos eleitores americanos. O levantamento mostra uma população cada vez mais preocupada com a inflação. Além disso, há temor sobre a possibilidade de novos aumentos nos preços dos combustíveis em meio às tensões envolvendo o Irã.
A percepção negativa ocorre justamente em uma área considerada decisiva para a vitória republicana em 2024. O custo de vida continua sendo uma das principais reclamações dos americanos. Ao mesmo tempo, a expectativa de melhora econômica prometida durante a campanha ainda não se materializou para parte significativa do eleitorado.
O desgaste preocupa a Casa Branca porque atinge um tema capaz de influenciar diretamente o comportamento eleitoral. Ao contrário de disputas ideológicas ou debates sobre política externa, inflação e gasolina afetam o cotidiano das famílias . Normalmente produzem impacto imediato na avaliação de qualquer presidente americano.
Além da queda na popularidade de Trump, o cenário começa a gerar alertas dentro do Partido Republicano sobre as eleições legislativas de novembro. Caso os indicadores econômicos não apresentem melhora consistente nos próximos meses, a pressão poderá atingir também candidatos aliados. Isso vale para aqueles que disputarão vagas na Câmara dos Representantes e no Senado.
Aprovação de Trump enfrenta pressão da economia
Pesquisas recentes apontam que a economia se tornou o principal fator de desgaste para o presidente americano. Embora os conflitos no Oriente Médio dominem parte do debate internacional, especialistas avaliam que a preocupação dos eleitores está concentrada principalmente nos efeitos que esses eventos podem produzir sobre os preços internos.
Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), o pesquisador da Temple University, Lucas de Souza Martins, afirmou que a dificuldade para alcançar objetivos tradicionalmente associados ao chamado sonho americano, como adquirir uma casa própria ou trocar de veículo, contribui para a insatisfação crescente de diferentes grupos sociais.
Segundo ele, a queda da aprovação de Trump está mais ligada ao desempenho econômico doméstico do que às crises internacionais, mesmo em um momento de forte tensão geopolítica.
Entre os fatores apontados como fonte de insatisfação estão:
- inflação persistente em setores essenciais;
- perda de poder de compra;
- expectativa de aumento dos combustíveis;
- frustração com promessas econômicas da campanha;
- incerteza sobre a recuperação da economia.
O diagnóstico reforça uma preocupação recorrente na política americana. Presidentes costumam ser avaliados principalmente pela situação econômica percebida pela população, independentemente de avanços em outras áreas de governo.
Maioria republicana passa a entrar no radar das eleições
O impacto político da queda de popularidade pode ir além da Casa Branca. As eleições de meio de mandato renovarão todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes, cerca de um terço do Senado e diversos cargos estaduais.
Para Lucas de Souza Martins, existe um risco real de perda de espaço republicano caso a situação econômica continue sem sinais consistentes de melhora. O pesquisador avalia que a manutenção das atuais maiorias depende diretamente da percepção dos eleitores sobre renda, emprego e custo de vida.
A preocupação ganha relevância porque o Partido Republicano atualmente controla as duas casas legislativas. Uma eventual mudança nesse equilíbrio reduziria a capacidade do governo de avançar com sua agenda política nos dois últimos anos do mandato.
O cenário também pode ampliar a pressão sobre parlamentares republicanos que disputarão reeleição em estados competitivos. Isso acontece especialmente com aqueles mais expostos às oscilações do humor econômico do eleitorado.
Se republicanos perderem cadeiras, Casa Branca enfrentará novo cenário
A perda de espaço no Congresso representaria mais do que um revés eleitoral para Donald Trump. O resultado poderia alterar significativamente a correlação de forças em Washington e criar obstáculos para a implementação de prioridades da Casa Branca.
Hoje, o governo conta com um ambiente legislativo relativamente favorável. Uma mudança na composição da Câmara ou do Senado abriria espaço para maior pressão da oposição sobre pautas econômicas, investigações, indicações políticas e projetos prioritários do governo. Como resultado, isso reduziria a margem de manobra do presidente.
O próprio pesquisador da Temple University observa que o Congresso tem exercido pressão limitada sobre algumas decisões controversas da administração Trump devido ao atual controle republicano das duas casas. Uma eventual mudança desse cenário ampliaria o peso político da oposição. Consequentemente, poderia transformar a reta final do mandato em um período de maior disputa institucional.
Nesse contexto, a pesquisa Reuters Ipsos Trump deixa de representar apenas um retrato momentâneo da opinião pública. Os números passam a ser observados como um indicador do ambiente político que os republicanos enfrentarão em novembro. Se o desgaste econômico continuar influenciando a avaliação dos eleitores, a discussão iniciada pela inflação poderá terminar com impacto direto sobre a maioria republicana no Congresso e sobre a capacidade do governo de conduzir sua agenda até o fim do mandato.