Flávio Bolsonaro manteve nota de R$ 500 mil após cancelar outras duas ligadas ao caso Banco Master

Duas notas fiscais de R$ 500 mil do escritório de Flávio Bolsonaro foram canceladas, mas uma terceira permaneceu válida. O documento ampliou os questionamentos sobre a relação comercial no caso Banco Master.
Flávio Bolsonaro durante evento público; escritório do senador aparece em documentos fiscais citados em reportagem sobre empresas ligadas ao caso Banco Master.
Escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais em 2025; duas foram canceladas e uma permaneceu registrada, segundo documentos revelados pelo Metrópoles.(Imagem:Instagram).

Enquanto duas notas fiscais de R$ 500 mil emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL) foram canceladas no mesmo dia, uma terceira, de igual valor, permaneceu registrada em nome de outra empresa ligada ao mesmo contador citado no caso Banco Master. Revelado pelo Metrópoles, o detalhe chamou atenção porque, diferentemente das notas canceladas, o documento permaneceu formalmente válido, indicando que a relação comercial avançou até a etapa de faturamento entre o escritório e a empresa contratante.

As duas primeiras notas foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e canceladas na mesma data. Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório faturou uma terceira nota fiscal de R$ 500 mil para a Contábil Correa. Segundo os registros consultados pelo Metrópoles, essa nota não foi cancelada.

O que diferencia a nota que permaneceu válida

Embora uma nota fiscal válida não comprove, por si só, a efetiva prestação do serviço ou qualquer irregularidade, ela registra formalmente uma operação comercial. Já as notas canceladas deixam de produzir efeitos fiscais. É justamente essa diferença que faz a terceira nota ganhar relevância dentro da apuração, sem que isso represente, por si só, indício de ilegalidade.

O elo entre as empresas está no contador Rogério Lourenço Novo. Na Receita Federal, ele aparece como diretor responsável pela Copenhagen e também como único sócio da Contábil Correa. Além disso, integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa mencionada na rede de relações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.

A Copenhagen foi aberta em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40 e, segundo a reportagem, recebeu posteriormente R$ 58 milhões do Banco Master, tornando-se uma das empresas que mais receberam recursos da instituição. No papel, a companhia pertence ao fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM, gestora investigada pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas à movimentação e ocultação de patrimônio do grupo de Vorcaro.

O que dizem Flávio Bolsonaro e os demais envolvidos

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que seu escritório firmou contrato de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que, segundo ele, atende mais de 200 clientes.

O senador disse que foi consultado sobre uma possível prestação de serviços para a Copenhagen, mas afirmou que a contratação não avançou, motivo pelo qual as notas emitidas para essa empresa foram canceladas. Também declarou não conhecer qualquer relação entre a Copenhagen, a BR Global e o Banco Master e afirmou que não é investigado no caso.

Já Rogério Lourenço Novo disse ao Metrópoles que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que chamou de “quarteirização”. Questionado sobre quais empresas receberam esses serviços, respondeu que possui mais de 200 clientes e não conseguiu informar, naquele momento, para quais deles o trabalho foi realizado.

A Trustee DTVM afirmou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen, nem sobre pagamentos ou negociações envolvendo o Banco Master. Até o momento, não há informação de que Flávio Bolsonaro seja investigado nas apurações. O foco da investigação permanece nas movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao Banco Master, enquanto a terceira nota fiscal sem cancelamento passa a integrar os documentos conhecidos do caso, ampliando os questionamentos sobre a relação comercial entre os envolvidos, sem alterar o estágio das investigações.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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