A Ucrânia lançou nesta quinta-feira (18) uma das maiores ofensivas com drones desde o início da guerra e voltou a atingir a Refinaria de Petróleo de Moscou, instalação considerada estratégica para a infraestrutura energética russa. O ataque ocorreu poucas horas antes de uma reunião de ministros da Defesa da OTAN, que tem a segurança ucraniana entre os principais temas da agenda.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, as forças russas derrubaram 555 drones, dos quais cerca de 180 foram interceptados nas proximidades de Moscou. Ainda assim, imagens registraram explosões e uma coluna de fumaça sobre a refinaria localizada no distrito de Kapotnya, na região sudeste da capital.
O episódio amplia a pressão sobre o Kremlin porque transfere parte do custo da guerra para o coração político e econômico da Rússia. Além do impacto operacional, ataques próximos à capital desafiam a narrativa de segurança construída por Vladimir Putin ao longo do conflito.
A ofensiva reforça uma mudança observada ao longo de 2026. Moscou, antes tratada principalmente como centro simbólico do poder russo, passou a enfrentar ataques cada vez mais frequentes contra sua infraestrutura estratégica. O objetivo de Kiev não é apenas produzir danos materiais, mas obrigar a Rússia a deslocar recursos de defesa para proteger áreas antes consideradas seguras.
Ucrânia usa ataques de longo alcance para aumentar custo da guerra para Moscou
O presidente ucraniano afirmou que esta foi a segunda vez em menos de uma semana que a refinaria de Moscou atingida se tornou alvo das forças de Kiev. A unidade é operada por uma subsidiária da estatal Gazprom e integra a infraestrutura energética considerada relevante para o funcionamento da economia e da logística russa.
Ao comentar a operação, Volodymyr Zelensky classificou a ação como uma resposta aos bombardeios russos contra cidades ucranianas. O líder ucraniano afirmou que os ataques buscam atingir estruturas que ajudam a sustentar o esforço de guerra de Moscou. Refinarias ocupam posição estratégica porque abastecem setores civis e cadeias logísticas ligadas ao conflito. Mesmo quando os danos são limitados, interrupções temporárias podem gerar custos adicionais de proteção, manutenção e redistribuição de combustíveis.
A estratégia representa uma evolução da campanha de longo alcance conduzida por Kiev nos últimos meses. Em vez de concentrar esforços apenas em áreas próximas à fronteira, a Ucrânia passou a ampliar a frequência de operações contra instalações energéticas, depósitos logísticos e centros de apoio militar em regiões mais profundas do território russo.
Ataque de drones em Moscou acontece sob olhar da OTAN
A coincidência entre a ofensiva e a reunião dos ministros da Defesa da OTAN aumenta o peso político do episódio. O momento da operação também tem valor estratégico para Kiev. Ao demonstrar capacidade de atingir alvos em território russo, o governo ucraniano fortalece seu argumento junto aos aliados de que o apoio militar ocidental continua produzindo resultados concretos mesmo após mais de quatro anos de guerra.
Para governos ocidentais, a demonstração de alcance operacional reforça o argumento de que a Ucrânia mantém capacidade ofensiva apesar da prolongação do conflito. Ao mesmo tempo, amplia o debate sobre os riscos de escalada envolvendo ataques cada vez mais próximos dos principais centros urbanos russos.
Entre os temas observados pelas potências ocidentais estão a resistência das defesas aéreas russas, a capacidade de reposição de equipamentos militares e o impacto econômico provocado por danos em instalações estratégicas.
Principais números da ofensiva
- 555 drones foram interceptados pela Rússia, segundo Moscou;
- 180 drones teriam sido derrubados nas proximidades da capital;
- 1 refinaria estratégica foi novamente atingida em Moscou;
- 7 mísseis balísticos e 239 drones teriam sido lançados pela Rússia contra a Ucrânia durante a mesma madrugada, segundo Kiev.
O que o ataque revela sobre a nova fase da guerra
Mais do que os danos registrados nesta quinta-feira, a ofensiva indica uma transformação gradual na dinâmica do conflito. Nos primeiros anos da guerra, a maior parte dos combates e ataques de grande impacto estava concentrada nas regiões próximas à linha de frente. Agora, Kiev demonstra capacidade crescente de projetar poder contra ativos considerados estratégicos em território russo.
Esse movimento cria um desafio adicional para Moscou. Além de sustentar operações militares em diferentes frentes, o governo russo passa a enfrentar a necessidade de ampliar a proteção de refinarias, centros logísticos e instalações críticas localizadas longe das áreas tradicionais de combate. Isso significa distribuir recursos, sistemas de defesa e capacidade operacional por um território muito mais amplo.
A resposta anunciada pelo Ministério da Defesa russo, com novos ataques contra instalações energéticas utilizadas pela Ucrânia, mostra que a escalada continua em curso. O principal efeito geopolítico da operação, porém, está em outra dimensão: a guerra já não se limita às frentes convencionais de combate e avança para uma disputa crescente sobre infraestrutura estratégica, capacidade de resistência e pressão sobre os centros de poder dos dois países.