Banco Master tinha R$ 14,3 bilhões em ações e enfrenta revés em precatórios

Banco Master tinha R$ 14,3 bilhões em ações judiciais. Decisão do CNJ atinge R$ 4,7 bilhões em precatórios ligados a direitos vendidos à instituição.
Fachada de edifício ligado ao Banco Master, citado em caso envolvendo precatórios e decisões judiciais
Caso envolvendo o Banco Master e precatórios inclui créditos bilionários e decisões em análise no Judiciário.(Imagem: Getty Images)

O Banco Master tinha pelo menos R$ 14,3 bilhões investidos em 16 ações judiciais nas quais havia comprado participação em possíveis indenizações da União. Parte da estratégia envolvia empresas do setor sucroalcooleiro e dependia de decisões dos tribunais para gerar retorno ao banco.

Agora, uma frente ligada a esse mercado sofreu um revés. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o cancelamento de 16 precatórios de usinas que haviam vendido direitos creditórios ao Master. Os títulos somam cerca de R$ 4,7 bilhões, e os recursos depositados em contas judiciais devem retornar ao Tesouro Nacional.

Os dois valores não representam a mesma coisa. Os R$ 14,3 bilhões correspondem a investimentos mapeados em relatório elaborado em 2024 e posteriormente entregue ao Banco Central. Já os R$ 4,7 bilhões se referem aos precatórios atingidos pela decisão recente do CNJ.

Por que o CNJ cancelou R$ 4,7 bilhões

Os recursos estavam bloqueados desde dezembro de 2023, antes do trânsito em julgado da execução das ações. Ao atender a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou o cancelamento dos precatórios e deu cinco dias para a restituição dos valores à União.

A decisão não significa o cancelamento dos R$ 14,3 bilhões relacionados às ações judiciais mapeadas na carteira do Master. Ela alcança especificamente os precatórios analisados pelo CNJ.

A diferença ajuda a entender o caso: o Master comprava participação em possíveis indenizações antes de uma definição favorável definitiva em determinadas disputas. Se a tese prosperasse na Justiça, esses direitos poderiam gerar retorno para o banco.

Vorcaro pediu apoio a Gilmar em causa bilionária

As disputas também chegaram diretamente ao Supremo Tribunal Federal. Daniel Vorcaro se reuniu com Gilmar Mendes em abril de 2024 e pediu que o ministro apoiasse uma causa envolvendo indenizações de empresas do setor sucroalcooleiro. O Master mantinha bilhões de reais em créditos dessas empresas.

Gilmar não acolheu a posição de interesse de Vorcaro. Em um dos julgamentos relacionados ao tema, o ministro e André Mendonça votaram contra, enquanto Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram em sentido contrário.

A controvérsia ainda não terminou. Gilmar pediu que o plenário do STF analise uma disputa do setor sucroalcooleiro para uniformizar o entendimento da Corte sobre a necessidade de perícia individual para comprovar prejuízos. O julgamento está previsto para ocorrer entre 25 de setembro e 2 de outubro.

Para o caso Banco Master e precatórios, portanto, há duas situações distintas: os R$ 4,7 bilhões atingidos pela determinação do CNJ devem retornar ao Tesouro, enquanto outras disputas relacionadas aos créditos adquiridos pelo banco continuam dependendo de decisões específicas do Judiciário.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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