O PL saiu das urnas com a maior bancada projetada do Senado para 2027, mas Valdemar Costa Neto adotou nesta segunda-feira (5) um discurso que expõe a diferença entre crescer no Congresso e controlar sozinho as decisões da Casa. Ao tratar de possíveis impeachments de ministros do STF, o presidente do partido reconheceu a independência dos senadores e defendeu “equilíbrio no Senado”.
O partido elegeu 19 senadores nas 54 vagas disputadas e, somados os parlamentares que continuam no mandato, aparece com 28 dos 81 integrantes na composição projetada para o próximo ano. A Agência Senado ressalva que esse desenho ainda pode mudar por fatores como resultados do segundo turno e decisões judiciais. Os novos mandatos começam em 1º de fevereiro de 2027.
Valdemar Costa Neto reconhece independência dos senadores
A ponderação de Valdemar Costa Neto ocorre justamente depois de uma eleição em que candidaturas do PL colocaram o enfrentamento ao Supremo entre suas bandeiras. Questionado sobre possíveis processos de impeachment de ministros da Corte, ele atribuiu a discussão aos próprios senadores.
“Cada senador pensa de um jeito, e os senadores têm muita força, têm muita independência”, afirmou Valdemar à GloboNews. O dirigente acrescentou que eles deverão buscar o que considerarem melhor para o país e disse que “não interessa pôr fogo no país”.
A declaração não retira a pauta do horizonte do partido. Valdemar afirmou que a discussão sobre eventuais impeachments deverá ocorrer no Senado. O ponto acrescentado pelo presidente do PL foi a necessidade de conduzir esse debate com equilíbrio.
“Não podemos colocar fogo no país, isso não interessa para ninguém e temos que ter equilíbrio no Senado para que a gente possa melhorar o país”, declarou. Ele também defendeu “tocar um país pra frente, segurar gastos”.
PL cresce, mas Valdemar já fala em negociar
O tamanho projetado da bancada dá ao PL uma posição inédita, mas não encerra a necessidade de articulação. Valdemar disse na mesma entrevista que o partido precisa voltar a se aproximar de União Brasil, PP e Republicanos e negociar apoios no segundo turno presidencial.
Esse movimento ocorre enquanto o partido projeta 28 senadores para fevereiro de 2027. A composição representa mais de um terço das 81 cadeiras, mas continua sujeita a alterações antes da posse.
O crescimento também coloca o PL diante de um cenário que Valdemar tratou como menos automático do que o tamanho da bancada pode sugerir. Ao falar especificamente sobre impeachment no STF, ele não prometeu resultado nem disse que os 28 senadores votarão da mesma maneira. Pelo contrário, destacou a independência dos parlamentares.
Bolsonaro teria voz, mas não cargo em eventual governo Flávio
Valdemar Costa Neto também definiu como imagina a participação de Jair Bolsonaro caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno. Segundo ele, o ex-presidente teria influência sobre a administração, mas não ocuparia um ministério.
“Bolsonaro vai participar muito dessa administração, não tenho dúvida disso”, afirmou. Em seguida, esclareceu: “Não vai ser ministro, mas vai dar opinião”. A declaração descreve a expectativa de Valdemar e não constitui anúncio de composição de um eventual governo.
As duas partes da entrevista deixam uma incerteza concreta para 2027. O PL chega ao período pós-eleitoral com a maior bancada projetada do Senado, mas o número definitivo ainda pode mudar até a posse. E, mesmo ao discutir uma das principais bandeiras de senadores eleitos pelo partido, Valdemar Costa Neto colocou a decisão nas mãos dos parlamentares e pediu equilíbrio na condução do tema.