O PL no Senado chegará a 2027 com 28 das 81 cadeiras, após eleger 19 senadores neste domingo (4). É uma bancada de tamanho histórico, mas ainda distante da referência estabelecida pelo próprio Jair Bolsonaro: em junho de 2025, o ex-presidente pediu aos apoiadores “50% da Câmara e do Senado” e associou essa maioria ao comando do Congresso, às comissões e às sabatinas.
A diferença não é apenas simbólica. Ela aparece nos quóruns que determinam até onde uma bancada consegue avançar sem buscar votos fora do próprio partido. O primeiro exemplo será a Presidência do Senado: são necessários 41 votos, maioria absoluta dos 81 senadores, para eleger o presidente da Casa. O PL partirá 13 votos abaixo desse número. A votação é secreta, o que impede antecipar votos individuais mesmo diante de eventuais acordos partidários.
De 28 a 54 votos, onde a força do PL encontra limites
A distância aumenta quando entram em jogo mudanças na Constituição. Uma proposta de emenda constitucional precisa de 49 votos em cada um dos dois turnos no Senado. Mesmo que os 28 integrantes da bancada votassem juntos, seriam necessários outros 21 votos. Mais de quatro em cada dez votos exigidos para aprovar uma PEC, portanto, teriam de vir de fora do PL.
O impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pauta defendida por integrantes da oposição, exige outra cautela. A Constituição estabelece 54 votos, dois terços do Senado, para uma condenação. Decisões do STF também alteraram pontos relacionados ao processamento desses pedidos, em tema submetido a disputa judicial. O resultado das urnas, portanto, não permite antecipar nem a abertura nem o desfecho de eventual processo.
O tamanho da bancada, ainda assim, tem dimensão histórica. Segundo levantamento da Agência Senado, o recorde anterior no início de uma legislatura pertencia ao então PMDB, atual MDB, que começou 1999 com 27 senadores. Se a composição projetada permanecer até a posse, o PL ultrapassará essa marca por uma cadeira.
O avanço do PL também dá dimensão à maior presença de partidos associados à direita no novo Senado, embora o resultado não forme automaticamente um bloco único. Além dos 28 integrantes projetados para o PL, a Casa terá três senadores do Novo e parlamentares eleitos por siglas como PP, União e Republicanos. A eleição do PL foi particularmente concentrada: o partido conquistou 19 das 54 vagas em disputa, ou 35,2%, e conseguiu eleger os dois senadores de uma mesma unidade da Federação em cinco locais: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. Segundo a Agência Senado, nenhum partido havia conseguido tantas “dobradinhas” em uma eleição desde 1988.
Os 50% pedidos por Bolsonaro e o que as urnas entregaram
Foi na Avenida Paulista, em junho de 2025, que Jair Bolsonaro explicitou o número que agora serve de comparação. “Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil, nem preciso ser presidente”, afirmou.
Na ocasião, Bolsonaro disse que, com essa maioria, seu campo político poderia escolher o presidente do Congresso, ocupar comissões de peso e influenciar decisões em sabatinas. Os 28 dos 81 senadores projetados para o PL equivalem a pouco mais de um terço da Casa e ficam abaixo da metade mencionada pelo ex-presidente.
Há ainda uma mudança relevante no grupo com o qual o partido terá de negociar. Levantamento divulgado pela Agência Senado em 5 de outubro aponta que 40 dos 54 mandatos definidos nesta eleição serão ocupados por novos senadores, renovação equivalente a 74% das vagas disputadas.
É aí que o resultado eleitoral abre uma segunda disputa. O PL conquistou tamanho suficiente para entrar em 2027 como a maior bancada partidária e superar uma marca que permanecia desde 1999. Mas haverá 53 senadores fora do partido. É entre eles que a legenda terá de buscar os votos adicionais para alcançar maiorias como as exigidas para comandar o Senado e aprovar mudanças constitucionais, sem que as urnas permitam antecipar quais parlamentares formarão essas maiorias.