A votação deste domingo ocorre com um ingrediente que não existia no início das séries recentes do mercado brasileiro: o S&P/B3 Ibovespa VIX está no maior nível desde sua criação. E o histórico de Bolsa e eleição acrescenta uma dúvida para segunda-feira: em 2014, 2018 e 2022, a volatilidade aumentou depois do primeiro turno e continuou avançando até a segunda votação, segundo levantamento da Nomad.
Na sexta-feira, 2, o VIX Brasil atingiu 33,21 pontos, recorde desde o lançamento do indicador, em março de 2024. Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa, ele mede a volatilidade implícita esperada para os 30 dias seguintes. Isso não significa previsão de queda, mas expectativa de oscilações mais intensas, para cima ou para baixo.
A particularidade de 2026 aparece quando risco e retorno são colocados lado a lado. Até 18 de agosto, o Ibovespa acumulava queda de 11,5% em seis meses, contra recuo médio de 2,2% nos períodos equivalentes das eleições entre 2006 e 2022, segundo a Nomad. Em três meses, o índice caía 4,4%, enquanto a média histórica era de alta de 7,1%.
“Há uma queda relevante e a volatilidade não está se traduzindo em retorno por conta do cenário de juros nos Estados Unidos, inflação e guerra”, afirma Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Bolsa e eleição já produziram caminhos opostos entre turnos
Outra comparação ajuda a dimensionar o período que começa após a votação. Levantamento da Comdinheiro/Nelogica, publicado em 27 de agosto de 2026 e baseado nas eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, apontou que o volume médio diário negociado na B3 aumentou entre primeiro e segundo turnos nos cinco pleitos analisados. As altas ficaram entre 9,6% e 39,9%, com mediana de 15,5%.
“O mercado ganha tração quando o cenário eleitoral se afunila”, afirma Gabriel Fenili, especialista sênior da Comdinheiro/Nelogica.
A curiosidade está no que aconteceu com os preços. Em 2014, o volume negociado aumentou 24% entre os turnos e o Ibovespa caiu 4,8%. Em 2018, o volume avançou 39,9%, mas o índice subiu 4,1%. Mais negócios, portanto, não definiram uma mesma direção para a Bolsa.
Em 2026, o dinheiro também tem concorrentes fora do Brasil
A eleição brasileira ainda disputa a atenção do investidor com juros elevados nos Estados Unidos e a procura por empresas relacionadas à inteligência artificial.
“O Brasil, em 2026, está lutando contra o mercado mais seguro do mundo pagando juros muito altos. É algo que não vimos nas demais eleições”, diz Rebecca.
O fluxo estrangeiro oferece outro termômetro. Levantamento da Elos Ayta com dados da B3, divulgado em 2 de outubro, aponta entrada líquida de R$ 9,11 bilhões de estrangeiros em setembro. Apesar da recuperação, o terceiro trimestre terminou com retirada líquida de R$ 6,45 bilhões, desconsiderando IPOs e follow-ons.
Para Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, o preço dos ativos pode pesar nessa decisão. “O capital vai para onde é melhor remunerado e não tem viés. Se estiver descontado aqui e for um bom preço de entrada, ele virá. Isso é histórico.”
O primeiro teste dessa combinação chega na reabertura do mercado. O histórico não permite antecipar se o Ibovespa subirá ou cairá, mas deixa uma referência concreta para Bolsa e eleição: entre os dois turnos, investidores aumentaram o volume negociado em cada uma das cinco eleições analisadas pela Comdinheiro/Nelogica.