Uma nova série de ataques russos na Ucrânia deixou pelo menos sete mortos nesta segunda-feira (28) e atingiu de prédios residenciais a locais de trabalho e uma instituição científica em Kiev. Mais de 60 pessoas ficaram feridas, segundo autoridades ucranianas, em uma ofensiva que alcançou diferentes regiões do país.
O ataque mais incomum ocorreu no centro da capital. Um drone atingiu um prédio da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, onde uma mulher morreu. Imagens mostraram fumaça saindo da construção, e autoridades locais relataram uma operação de emergência no local. A Reuters confirmou ao menos uma morte no episódio.
Em Dnipro, a ofensiva chegou a um centro de escritórios durante o horário comercial. Três pessoas morreram e pelo menos 12 ficaram feridas, segundo autoridades locais. Em Kharkiv, um edifício residencial de nove andares também foi atingido, deixando dezenas de feridos, entre eles crianças.
Ataques russos alcançam centros de dados e estrutura logística
A ofensiva também colocou infraestrutura de comunicação e logística no centro da guerra. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido dois centros de dados em Kiev, além de postos de gasolina e um centro de distribuição da empresa postal Nova Poshta em Odesa. Moscou sustenta que os alvos estavam relacionados às atividades militares ucranianas.
A alegação russa sobre a finalidade militar dessas estruturas não foi comprovada de forma independente. Ao mesmo tempo, ataques aéreos russos têm atingido repetidamente áreas civis. Nesta segunda-feira, residências, uma empresa farmacêutica e instalações científicas também aparecem entre os locais atingidos, segundo autoridades ucranianas e reportagens internacionais.
Após os bombardeios, Volodmir Zelenski afirmou que a Rússia “certamente enfrentará uma resposta por isso”. O presidente ucraniano voltou a defender maior pressão internacional contra Moscou.
A escalada ocorre dos dois lados da fronteira. Zelenski afirmou que ataques ucranianos de longo alcance atingiram fábricas de defesa e instalações petrolíferas dentro da Rússia. Moscou, por sua vez, declarou ter derrubado 254 drones ucranianos durante a noite.
Rússia segue entre principais fornecedores do Brasil
Para o Brasil, a conexão econômica não significa que os bombardeios desta segunda-feira já tenham produzido impacto no país. Ela está no tamanho da relação comercial mantida com Moscou durante a guerra.
Dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC mostram que o Brasil importou US$ 7,16 bilhões em produtos russos entre janeiro e agosto de 2026. A Rússia respondeu por 3,66% das compras brasileiras no exterior e ocupou a sexta posição entre os países fornecedores.
Há um contraste recente nesse fluxo. Apenas em agosto, as importações provenientes da Rússia somaram US$ 433,86 milhões, contra US$ 894,54 milhões em agosto de 2025, queda de 51,5%. No acumulado de janeiro a agosto, porém, as compras brasileiras permaneceram 1,73% acima das registradas no mesmo período do ano anterior.
Essa relação comercial ajuda a dimensionar por que novas escaladas envolvendo a Rússia permanecem relevantes para o Brasil, mas não há evidência, até agora, de que os ataques desta segunda-feira tenham alterado o comércio brasileiro.
Os bombardeios ocorreram após uma semana de esforços diplomáticos na ONU para avançar nas negociações sobre a guerra. Com ataques russos sobre cidades ucranianas e operações de Kiev dentro do território russo, permanece incerto quando essas tratativas poderão produzir um acordo.