Embaixadas fechadas, TSE acionado e ruas lotadas fecham campanha de Lula

Campanha de Lula termina com Augusta lotada, representações estrangeiras fechadas e pedido ao TSE sobre decisão dos EUA antes da eleição.
Vista aérea de apoiadores durante ato da campanha de Lula na Rua Augusta, em São Paulo, na véspera da eleição de 2026.
Apoiadores participam de ato da campanha de Lula na região central de São Paulo, no último dia antes do primeiro turno das eleições de 2026.(Imagem: Editorial).

A campanha de Lula chegou ao último dia antes da votação com uma combinação incomum de acontecimentos. Enquanto uma caminhada ocupava a rua Augusta, em São Paulo, Estados Unidos e Austrália mantinham repartições diplomáticas fechadas e o PT levava ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para investigar a decisão americana. Os episódios ocorreram simultaneamente, mas não há evidência pública de relação causal entre eles.

Segundo os organizadores, 150 mil apoiadores participaram da caminhada entre a avenida Paulista e a praça Roosevelt. A estimativa é da organização e não corresponde a uma contagem independente. Durante o ato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que acredita em vitória no primeiro turno e classificou a eleição como uma disputa entre “a democracia e a barbárie”.

A demonstração de força nas ruas, porém, não permite antecipar o resultado das urnas. Na pesquisa CNT/MDA divulgada neste sábado, Lula registra 47,8% dos votos válidos, contra 42,1% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Para encerrar a disputa no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos.

Por que representações estrangeiras fecharam antes da eleição

O elemento mais incomum dessa reta final aconteceu fora da campanha. Estados Unidos e Austrália suspenderam serviços presenciais em suas representações diplomáticas no Brasil às vésperas da votação.

O governo americano alegou “preocupações com a segurança”, sem detalhar publicamente qual ameaça teria provocado a decisão. A Austrália também adotou restrições e mencionou o ambiente de segurança durante o período eleitoral. O fechamento temporário não significa rompimento das relações diplomáticas com o Brasil.

A Polícia Federal chegou a fazer buscas após receber informações sobre possíveis ameaças contra instalações dos Estados Unidos. Até sexta-feira (2), porém, a corporação informou não ter encontrado elementos que confirmassem a existência do risco relatado. A apuração permanecia em andamento.

Esse limite é importante: as informações disponíveis não permitem afirmar que as representações tenham fechado por causa de uma ameaça comprovada ligada à eleição.

Campanha de Lula leva decisão dos EUA ao TSE

O episódio ganhou dimensão eleitoral porque a campanha de Lula pediu ao TSE que a suspensão americana fosse incluída na Ação de Investigação Judicial Eleitoral que apura possível interferência externa nas eleições brasileiras.

O pedido não significa que o TSE tenha reconhecido interferência dos Estados Unidos. A campanha apresentou a decisão americana como um fato que considera relevante para a investigação; cabe à Justiça Eleitoral avaliar o requerimento.

Enquanto isso, a disputa eleitoral segue determinada pelos votos deste domingo. A CNT/MDA coloca Lula abaixo dos 50% dos votos válidos no levantamento divulgado neste sábado, e a própria campanha reconhece como pontos de atenção a migração de eleitores de outros candidatos de direita para Flávio Bolsonaro e a abstenção entre eleitores de menor renda.

Assim, a campanha de Lula termina com uma fotografia pouco convencional: multidão na Augusta, expectativa declarada de vitória no primeiro turno, representações estrangeiras fechadas e uma nova questão submetida ao TSE. O que existe até agora sobre o episódio americano é uma investigação em andamento e um pedido da campanha à Justiça Eleitoral, não uma conclusão de interferência na votação.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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