A desistência do ex-governador Cláudio Castro (PL) de disputar o Senado em 2026 abriu uma vaga estratégica na chapa da direita no Rio de Janeiro e colocou o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) entre os nomes que passaram a avaliar a corrida.
A eleição terá duas vagas ao Senado em disputa no estado. Com a saída de Castro, o PL perdeu o nome que reunia mandato recente no governo estadual, estrutura política e visibilidade regional para tentar ocupar uma das cadeiras.
A movimentação de Jordy expõe um problema interno para o partido: transformar influência no eleitorado bolsonarista em competitividade numa disputa majoritária, que exige voto além da base ideológica.
O cálculo também pesa sobre o projeto nacional do PL. Uma cadeira pelo Rio pode ampliar a força da direita em Brasília em debates sobre Judiciário, comissões parlamentares e pautas constitucionais.
Carlos Jordy testa força para ocupar a vaga de Cláudio Castro no Senado
Carlos Jordy é deputado federal desde 2019 e construiu sua projeção política associado às pautas do bolsonarismo. No Rio, seu nome tem apelo junto ao eleitorado mais ideológico da direita, especialmente em temas de oposição ao governo Lula.
O histórico público de Jordy também inclui episódios envolvendo familiares na política fluminense. No início do primeiro mandato do deputado, o pai dele, Carlos Roberto Coelho de Mattos, foi nomeado para atuar no gabinete do então deputado estadual Dr. Serginho, aliado do mesmo campo político. O caso gerou desgaste à época por envolver um parlamentar eleito com discurso de moralidade na política.
O desafio é outro em uma eleição ao Senado. A disputa majoritária exige capilaridade estadual, articulação com prefeitos, presença em diferentes regiões e capacidade de dialogar com eleitores menos engajados na militância digital.
A candidatura ao Senado no RJ dependerá mais da avaliação de Jordy sobre sua viabilidade eleitoral dentro de uma chapa que também terá impacto na sucessão do governo estadual.
Disputa ao Senado pelo Rio reorganiza o PL
Sem Castro, a vaga deixou de ter dono natural dentro do partido. O espaço passou a ser observado por parlamentares e lideranças que buscam ampliar peso próprio na formação da chapa de 2026.
O principal contraponto a Jordy é Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara. Ele aparece entre os nomes mais cotados para substituir Castro, mas a possível candidatura depende de negociações internas, do aval de lideranças religiosas ligadas à sua base no Rio e do cálculo sobre uma eventual permanência na Câmara, onde também é citado em articulações para a Presidência da Casa.
Mesmo fora da disputa, Cláudio Castro segue no tabuleiro do PL. Após desistir da pré-candidatura ao Senado na quinta-feira (28/05), o ex-governador passou a integrar a folha de funcionários do partido e deverá atuar nas campanhas da legenda no Rio. Segundo dirigentes do PL, Castro receberá salário líquido de R$ 27.834,95.
A escolha envolve quatro critérios centrais:
- capacidade de mobilização eleitoral no estado;
- articulação com prefeitos e lideranças regionais;
- potencial de transferência de votos do bolsonarismo;
- efeito sobre a composição para o governo estadual.
Esse é o ponto que torna a disputa com nível de tensão. O nome escolhido para o Senado não será apenas candidato; ele também ajudará a definir quem terá mais influência sobre o campo conservador fluminense.
Escolha no PL terá efeito além da eleição no Rio
A disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro ganhou dimensão nacional porque virou prioridade para a direita. Para o PL, o estado tem peso eleitoral e simbólico: além de estar entre os maiores colégios eleitorais do país, concentra parte expressiva da base política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A definição sobre Carlos Jordy para senador ou outro nome do partido vai indicar qual caminho o PL pretende seguir: apostar em mobilização ideológica forte ou buscar um perfil com maior trânsito regional e capacidade de composição.
A consequência da saída de Castro é essa. A vaga abriu uma disputa que não envolve apenas quem concorrerá ao Senado, mas quem comandará a reorganização eleitoral da direita no Rio em 2026.
A decisão final caberá a Flávio Bolsonaro, e a convenção do partido para homologar a chapa está prevista para ocorrer até o fim de julho.