O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro passou a integrar a folha de funcionários do PL após desistir da pré-candidatura ao Senado na quinta-feira (28/05). Segundo dirigentes da legenda, ele atuará nas campanhas do partido no estado.
Castro receberá salário líquido de R$ 27.834,95, valor que será incluído na folha de pagamento do PL. O custo será bancado com recursos do fundo partidário, verba pública repassada às legendas para despesas de manutenção e funcionamento.
A contratação foi acertada há algumas semanas entre Castro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Segundo a informação divulgada, Valdemar afirmou que o “partido precisa dele”, e o ex-governador já teria recebido o primeiro vencimento.
A entrada na folha separa duas funções de Castro no partido. Ele sai da urna, pressionado por reveses políticos, judiciais e policiais, mas permanece na operação eleitoral do Rio enquanto o PL reorganiza a chapa ao Senado.
Função de Castro será articular prefeitos e campanhas no Rio
Como Cláudio Castro funcionário do PL, o ex-governador ficará à disposição da direção partidária para colaborar na estratégia e na coordenação das campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.
A principal tarefa será atuar na interlocução com prefeitos e parlamentares do estado. O objetivo interno é fortalecer o PL fluminense e dar sustentação à candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio.
A movimentação ocorre enquanto o PL reorganiza sua chapa no Rio de Janeiro após perder Castro como nome ao Senado. O partido deixa de contar com um ex-governador na disputa majoritária, mas mantém sua influência na articulação eleitoral.
Salário de Castro no PL será pago com fundo partidário
O dado de maior impacto público é que Cláudio Castro receberá salário no PL após deixar a disputa ao Senado. O pagamento será custeado pelo fundo partidário, em meio à montagem das candidaturas estaduais.
A contratação concentra quatro pontos:
- Pagamento com fundo partidário, verba pública repassada às legendas;
- Atuação política no Rio, com prefeitos, parlamentares e campanhas;
- Saída da disputa ao Senado, anunciada após o avanço de investigações da Polícia Federal.
O efeito político é direto. O PL deixa de apresentar Castro como candidato ao Senado, mas mantém o ex-governador em função paga pela própria estrutura partidária durante a reorganização da chapa no Rio.
Reveses mudaram o lugar de Castro na chapa do PL
Castro deixou o governo do Rio com índices elevados de aprovação e liderando pesquisas de intenção de voto. Nos últimos meses, porém, esse capital político passou a ser pressionado por derrotas institucionais, questionamentos judiciais e investigações.
O primeiro revés ocorreu quando o ex-governador não conseguiu viabilizar a eleição de seu sucessor para o mandato-tampão. Questionamentos judiciais sobre o modelo de escolha resultaram na manutenção do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, como governador interino.
A pressão aumentou nesta terça-feira (26/05), quando a Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero e colocou Castro entre os alvos de uma investigação sobre aportes públicos do Rio de Janeiro no Banco Master. A apuração mira aplicações que somam cerca de R$ 3 bilhões.
Depois, Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade e passou a ser investigado pela Polícia Federal em apurações relacionadas a supostas fraudes envolvendo o Banco Master e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Ele também foi alvo de dois mandados de busca e apreensão.
Conforme publicado pelo Metrópoles, na quinta-feira, quando Cláudio Castro desistiu da disputa ao Senado, o ex-governador afirmou que deixava a pré-candidatura para se dedicar à defesa em duas investigações conduzidas pela PF. Ele negou irregularidades e disse que não pretende encerrar a carreira política.
Com a saída de Castro da corrida eleitoral, o PL do Rio busca um substituto para a disputa ao Senado. A expectativa de dirigentes da sigla é concluir a definição até a próxima semana.
A chapa desenhada tinha Douglas Ruas como candidato ao governo, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) na outra vaga ao Senado.
A consequência prática é que o PL troca Castro de posição, mas não o retira da articulação eleitoral. O ex-governador deixa a candidatura, será pago com fundo partidário e seguirá atuando no PL do Rio enquanto o partido procura outro nome para a vaga ao Senado.