Queda de avião em Marília: resgate em meio às chamas evitou terceira morte

A queda de avião em Marília deixou dois pilotos mortos e um sobrevivente. Funcionários da AABB correram até os destroços, cortaram o cinto de segurança de Pablo Portella e o retiraram da aeronave antes que o fogo avançasse. O caso agora é investigado pelo Cenipa.
Henrique Guariente Filho, uma das vítimas da queda de avião em Marília, em foto divulgada por familiares.
Henrique Guariente Filho, de 47 anos, foi uma das vítimas da queda do bimotor em Marília, no interior de São Paulo.(Imagem:Instagram).

A queda de avião em Marília, no interior de São Paulo, terminou com duas mortes e um sobrevivente na manhã de quarta-feira (10). No entanto, o desfecho poderia ter sido ainda mais trágico. Funcionários da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) conseguiram retirar Pablo Portella Ilwoski, de 28 anos, dos destroços antes que o incêndio consumisse completamente a aeronave.

O acidente envolveu um bimotor Beech Aircraft 58, prefixo PT-MDB, que transportava três ocupantes. Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, e Henrique Guariente Filho, de 47, morreram no local. Pablo foi o único sobrevivente e recebeu alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (11).

A diferença entre sobrevivência e tragédia ocorreu em poucos minutos. Relatos de testemunhas mostram que o fogo avançou rapidamente após o impacto. Assim, as chances de resgate dos ocupantes que permaneceram presos na parte frontal do avião foram drasticamente reduzidas.

Enquanto as famílias iniciavam as despedidas das vítimas, o caso passou a evidenciar também a atuação dos funcionários do clube. Eles chegaram aos destroços antes mesmo da chegada das equipes de emergência e conseguiram retirar uma das vítimas com vida.

O resgate que mudou o desfecho do acidente

Ademir Durelo, auxiliar-geral da AABB, contou que almoçava quando ouviu uma explosão vinda da área do campo onde o avião caiu. O local ficava a cerca de um quilômetro do aeroporto de Marília.

Ao chegar ao local, ele encontrou Pablo ainda preso pelo cinto de segurança. Segundo o funcionário, o incêndio já havia começado a tomar a aeronave, exigindo uma ação imediata para retirar o sobrevivente.

“Eu estava almoçando quando a gente escutou uma explosão. Quando cheguei ao local, o fogo já estava pegando. Avistei um rapaz, esse que a gente conseguiu tirar de dentro do avião. Daí conseguimos cortar o cinto e puxar ele lá de dentro. Arrastamos ele para fora”, relatou.

Outro funcionário do clube, Mauro Alves Ferreira, afirmou que uma das vítimas ainda pedia socorro, mas estava presa às ferragens enquanto as chamas se espalhavam.

Segundo ele, houve uma tentativa de encontrar uma forma de alcançar os ocupantes da parte dianteira do bimotor. Porém, o avanço do fogo tornou impossível qualquer ação de resgate.

O detalhe que separou sobrevivência e tragédia em Marília

Os relatos apontam que Pablo estava em uma posição que permitiu acesso mais rápido dos socorristas improvisados. O corte do cinto de segurança e a retirada imediata da aeronave ocorreram antes que o incêndio tomasse toda a fuselagem.

Esse intervalo de poucos minutos foi decisivo. A rapidez dos funcionários permitiu retirar o único ocupante que ainda podia ser alcançado. Enquanto isso, os demais permaneciam presos na cabine frontal.

Um vídeo gravado logo após a queda mostra o cenário de desespero no local. Colaboradores e frequentadores do clube correm em direção aos destroços para tentar ajudar as vítimas.

O piloto comercial Pablo Portella mora em Curitiba (PR) e foi levado ao Hospital das Clínicas de Marília após o resgate. A alta médica ocorreu menos de 24 horas depois do acidente.

Velórios marcam despedida das vítimas

A quinta-feira também foi marcada pelas homenagens às vítimas da tragédia. Amigos e familiares se reuniram em Marília para o velório de Henrique Guariente Filho. Ele era piloto de formação, trabalhava com voos particulares e vivia na cidade havia cerca de cinco anos.

Natural de Rolândia (PR), Henrique deixou esposa e uma filha de dois anos. Durante a cerimônia, amigos destacaram o impacto da perda repentina.

“É algo muito difícil de compreender, que ninguém espera. Ele era muito jovem, com uma família nova e uma filha de dois anos. É muito chocante”, afirmou o aeronauta Jolando Gatto.

Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, que pilotava a aeronave no momento da queda, também foi velado nesta quinta-feira. Natural de Jales (SP), ele integrava a equipe do Grupo Ponzan Alimentos, proprietário do avião envolvido no acidente.

A empresa lamentou a morte do funcionário e informou que acompanha as investigações conduzidas pelas autoridades. As causas da queda ainda são desconhecidas e serão apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Esse órgão é responsável pela investigação oficial do acidente.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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