Felipe Dell Aquilla: EUA citam facções sem prova pública no Brasil

Felipe Dell Aquilla foi preso nos EUA após alerta internacional. Autoridades americanas citaram PCC e CV, mas a base pública brasileira trata de extorsão. Entenda o caso.
Felipe Dell Aquilla, brasileiro preso nos Estados Unidos após alerta da Interpol
Felipe Dell Aquilla foi preso nos Estados Unidos após alerta internacional; autoridades americanas o associaram a PCC e CV (Foto: Reprodução WEB)

Felipe Dell Aquilla, brasileiro conhecido como Don ou Dom, foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na sexta-feira (05/06), em Mooresville, na Carolina do Norte. A captura abriu dúvida sobre a base usada pelos EUA para ligá-lo a facções brasileiras.

O anúncio ocorreu na segunda-feira (15/06). O mandado que sustentou a inclusão do nome de Dell Aquilla na Difusão Vermelha da Interpol decorre de condenação definitiva por extorsão, com pena fixada em 9 anos e 7 meses.

A diferença está no grau de acusação apresentado pelas autoridades americanas. Nos Estados Unidos, Dell Aquilla foi citado como antigo comandante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Investigadores e órgãos de inteligência consultados pelo g1 estranharam essa atribuição. Nos registros brasileiros conhecidos, também há processo por golpe em hotel de luxo em Campos do Jordão, em São Paulo.

Brasil tem extorsão como base contra Felipe Dell Aquilla

A Difusão Vermelha da Interpol é um pedido internacional para localizar e prender provisoriamente uma pessoa procurada por autoridade nacional. O mecanismo serve a extradição ou medida jurídica equivalente, sem substituir sentença, denúncia ou investigação de país-membro.

No caso de Felipe Dell Aquilla, a base brasileira citada nos documentos consultados pela reportagem é a condenação por extorsão. A pena levou o nome do brasileiro a bases acessadas por polícias estrangeiras.

O alerta internacional, isoladamente, não detalha eventual vínculo com organização criminosa. A medida informa pedido de localização e prisão provisória, mas a acusação de comando em facção depende de base apresentada pela autoridade responsável pela atribuição.

EUA atribuem a Dell Aquilla ligação com PCC e CV

As autoridades dos Estados Unidos trataram Dell Aquilla como antigo comandante ligado a PCC e CV dias depois de o Departamento de Estado anunciar, em 28 de maio, a designação das duas facções como Terroristas Globais Especialmente Designados e a intenção de classificá-las como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. A proximidade entre a nova classificação e a prisão abriu uma lacuna pública: os EUA não detalharam qual dado sustenta acusação mais grave que a base brasileira conhecida.

Segundo a versão americana, o brasileiro teria entrado ilegalmente no país. Durante abordagem de trânsito, ele teria tentado fugir, batido o veículo e corrido a pé antes de ser alcançado por agentes do ICE.

Na ação, as autoridades relataram apreensão de celulares, laptops, dinheiro e uma pistola 9 mm. A apuração local também menciona suspeita de cárcere privado contra a esposa e acusação estadual por fuga para evitar prisão.

Prova pública não detalha o que os EUA sabem

O caso Felipe Dell Aquilla ainda não tem documento público que mostre a origem da associação feita pelos Estados Unidos com PCC e CV. A diferença entre as leituras dos dois países ganhou peso depois que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, classificou como “equívoco grosseiro” a decisão americana de enquadrar as facções brasileiras como organizações terroristas.

O que existe, até agora, é uma acusação americana mais ampla que a base judicial brasileira conhecida. Sem documento aberto detalhando essa ligação, o vínculo com facções permanece restrito à atribuição feita pelas autoridades dos Estados Unidos.

Neste momento processual, Felipe Dell Aquilla consta como condenado por extorsão no Brasil, preso nos Estados Unidos após alerta internacional e citado em acusação americana ainda não reconhecida publicamente por investigadores brasileiros.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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