O almoço preparado para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em Campos do Jordão expôs uma estrutura de hospitalidade que Daniel Vorcaro mantinha para seus eventos privados. Segundo mensagens às quais o Metrópoles teve acesso, o chef José Maria Meira e sua equipe recebiam R$ 120 mil mensais para cuidar dessas recepções.
O valor não corresponde ao preço do almoço oferecido a Moraes em 30 de dezembro de 2023. Não há, no material divulgado, uma conta consolidada da refeição. A cifra se refere à remuneração mensal atribuída à equipe responsável pelos eventos de Vorcaro.
Eventos de Vorcaro tinham equipe contratada para recepções
José Maria Meira foi o chef responsável pela preparação do encontro em Campos do Jordão. O material obtido pelo Metrópoles informa que ele e sua equipe recebiam R$ 120 mil por mês para cuidar dos eventos privados de Vorcaro. O período durante o qual essa remuneração foi paga não foi especificado.
Essa base impede transformar o valor mensal no custo daquela recepção. Também não é possível calcular quanto foi gasto no almoço a partir do cardápio: as quantidades consumidas, os preços efetivamente pagos e o valor dos vinhos retirados da adega particular de Vorcaro não foram informados.
A mobilização para o encontro começou pelo menos três dias antes. Em 27 de dezembro de 2023, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria comunicou a Vorcaro que Moraes queria almoçar em Campos do Jordão no dia 30. Documentos obtidos pela Polícia Federal também registram a preparação para nove convidados e quatro seguranças.
Caviar, wagyu e vinhos entraram na operação do almoço
Para a recepção, José Maria preparou um menu com itens como caviar, vieiras, foie gras, wagyu e trufas. Vorcaro também orientou a retirada de vinhos especiais de sua adega particular e discutiu com o chef até a apresentação das latas de caviar na mesa.
A cobertura publicada nesta quarta-feira (30) concentrou-se justamente nesses itens. Uma lata do caviar citado nas mensagens pode ser vendida no Brasil por até R$ 4,5 mil, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles. Esse preço é uma referência comercial de uma unidade, e não comprova quanto Vorcaro efetivamente pagou pelo produto servido naquele dia.
Vorcaro não participou da recepção, mas as mensagens mostram que acompanhou sua preparação. O fundador do Banco Master determinou quais vinhos deveriam ser buscados, recebeu imagens da montagem e questionou se a disposição do caviar não estava excessivamente “pomposa”.
Quanto custou receber Moraes continua sem resposta
A documentação permite identificar a estrutura usada na preparação, mas deixa uma lacuna econômica relevante: não há valor total conhecido para o almoço de 30 de dezembro de 2023.
Isso significa que os R$ 120 mil mensais não podem ser somados ao preço comercial do caviar ou aos valores dos vinhos para produzir uma estimativa. Faltam dados sobre quantidade, aquisição dos ingredientes, mão de obra efetivamente empregada naquele dia e eventual custo da residência usada para a recepção.
As mensagens, portanto, permitem dimensionar como funcionava a operação dos eventos privados de Vorcaro, mas não quanto aquela recepção específica consumiu. Até que despesas do encontro sejam documentadas, qualquer cifra apresentada como “custo do almoço de Moraes” extrapolaria os dados disponíveis.