Execução de mulher nos EUA para após duas doses e deixa condenada viva

Christa Pike permaneceu viva após receber duas doses de pentobarbital em uma tentativa de execução no Tennessee. Ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos. O Tennessee afirma ter seguido todas as etapas autorizadas do protocolo e abriu uma revisão para apurar o ocorrido.
Christa Pike e a execução de mulher nos EUA.
Christa Pike permaneceu viva após receber duas doses de pentobarbital durante tentativa de execução no Tennessee.(Imagem: TENNESSE DEPARTMENT OF CORRECTIONS).

A tentativa de execução de uma mulher nos EUA chegou a um ponto incomum no Tennessee: Christa Pike, de 50 anos, recebeu duas doses de pentobarbital, permaneceu viva e acabou levada para atendimento médico. Depois do procedimento, o próprio estado afirmou ter cumprido todas as etapas de seu protocolo e informou que as regras não permitiam medidas adicionais além das realizadas naquela noite. 

O caso ganha outra dimensão por envolver uma mulher que estava prestes a encerrar um intervalo de mais de dois séculos. Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos. Em vez disso, a tentativa terminou sem sua morte e abriu uma investigação sobre o procedimento. 

Execução de mulher nos EUA chegou à segunda dose

O pentobarbital era a substância utilizada pelo Tennessee na injeção letal. Segundo a Associated Press, Pike recebeu duas doses durante a tentativa de execução, mas continuou viva. Ela foi posteriormente transportada para um hospital. 

É justamente o que aconteceu depois dessas aplicações que diferencia o episódio. Em comunicado divulgado na noite de 30 de setembro, o Departamento de Correção do Tennessee declarou ter seguido todas as etapas do protocolo de execução aprovado pelo gabinete do procurador-geral estadual. O órgão acrescentou que o protocolo não autorizava procedimentos adicionais além daqueles já realizados.

Isso não significa que já se saiba por que a execução não foi concluída. Até agora, o Tennessee não apresentou uma conclusão que permita atribuir o resultado à substância, à forma de administração, às condições de saúde de Pike ou a outro fator. A causa permanece sem confirmação oficial.

Primeira execução feminina em mais de 200 anos não foi concluída

A condição de Pike torna o episódio ainda mais excepcional dentro do sistema de pena capital do estado. Registros oficiais do Tennessee identificam Christa Pike como a única mulher no corredor da morte e informam que ela está nessa condição desde março de 1996. 

Pike foi condenada por assassinato em primeiro grau pelo crime cometido contra Colleen Slemmer em 1995. Ela tinha 18 anos na época. A execução estava marcada para 30 de setembro, no Riverbend Maximum Security Institution. 

O caso também produz uma consequência imediata além da situação de Pike. O governador Bill Lee adiou a execução restante prevista pelo Tennessee para 2026 e determinou uma revisão do episódio. 

Assim, a questão que permanece não é apenas por que Christa Pike continuou viva. A investigação terá de estabelecer o que ocorreu durante uma execução na qual duas doses foram administradas e o estado afirma ter realizado todas as etapas autorizadas, antes de o Tennessee definir como prosseguirá com seu sistema de pena capital. 

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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