Lula no segundo turno aposta nas redes, mas enfrenta barreira nas urnas

Lula intensifica vídeos nas redes sociais e mobiliza parlamentares jovens para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026. A estratégia enfrenta o desafio de transformar engajamento digital em votos e estimular o comparecimento às urnas, após mais de 33 milhões de eleitores se absterem no primeiro turno.
Lula aparece em vídeo estilo selfie, usando camisa azul, durante estratégia de comunicação nas redes sociais para o segundo turno de 2026.
Lula aposta em vídeos no formato selfie para ampliar sua presença nas redes sociais durante a disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro.(Imagem: Instagram).

A campanha de Lula no segundo turno das eleições de 2026 passou a apostar em vídeos espontâneos e na mobilização de parlamentares jovens para tentar superar Flávio Bolsonaro (PL). A mudança amplia as formas de contato com os eleitores, mas não comprova conquista de votos. O desafio é alcançar pessoas dispostas a mudar sua escolha ou comparecer às urnas em 25 de outubro.

A desvantagem é concreta. Com 100% das seções totalizadas no primeiro turno, Flávio recebeu 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula, segundo resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em 5 de outubro. A diferença foi de 2.224.965 votos. O novo formato de comunicação ainda não tem resultado eleitoral mensurável.

Lula no segundo turno enfrenta desafio além dos seguidores

A mudança tem um detalhe curioso: Lula resistia aos vídeos em formato selfie, embora auxiliares defendessem a ideia durante a campanha. Segundo o Metrópoles, após conversar com parlamentares na quarta-feira (7), o presidente prometeu produzir conteúdos diariamente e brincou que acordaria cedo para “falar com celular”.

Naquele dia, seu perfil publicou nove gravações nesse formato. Em três, Lula apareceu sozinho; nas outras seis, acompanhado de deputados federais recém-eleitos. Em uma delas, pediu que os apoiadores participassem da mobilização eleitoral.

A mudança ocorreu após uma autocrítica à organização da campanha. Em conversa com parlamentares, Lula classificou a disputa deste ano como a “menos organizada” desde 1989, segundo reportagem do Metrópoles. A avaliação ajuda a contextualizar a reformulação, sem demonstrar que as dificuldades tenham sido superadas.

Abstenção de 33,4 milhões não representa votos disponíveis

A dimensão do desafio aparece nos dados de comparecimento. No primeiro turno de 2026, 33.469.244 eleitores não votaram, equivalentes a 21,08% dos 158.745.502 brasileiros aptos a votar, conforme resultados eleitorais publicados após a totalização.

Esse contingente é maior que a diferença entre os candidatos, mas não representa apoio potencial automático a Lula. Quem se absteve pode continuar ausente, votar no presidente ou escolher Flávio Bolsonaro.

Em uma gravação divulgada na quarta-feira (7), Lula pediu a participação dos eleitores e afirmou: “É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país”.

A declaração evidencia a tentativa de estimular o comparecimento. Já o resultado dependerá de quantos eleitores efetivamente votarão e de suas escolhas, informações que os indicadores das redes sociais não conseguem antecipar.

Janones e Ana Elisa levam mobilização para outros públicos

O deputado André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que alcançou 2 milhões de inscritos em 7 de outubro, segundo o Metrópoles. O crescimento demonstra adesão ao canal, não transferência comprovada de votos para o presidente.

Outra aposta é Ana Elisa (PT-MG), eleita deputada federal aos 21 anos. Sua participação tem importância particular em Minas Gerais, onde Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula. O alcance digital da parlamentar não permite medir eventual mudança no resultado presidencial.

A mobilização também pretende chegar às universidades. Rosa Amorim (PT-PE), deputada federal eleita, afirmou ao Metrópoles: “Um dos primeiros pontos é a mobilização nas universidades, que já estão se movimentando”.

A campanha pretende discutir com jovens temas como educação, emprego, renda e segurança pública, conforme a parlamentar. Essas atividades ampliam os canais de contato, mas sua eficácia eleitoral permanece desconhecida.

Até 25 de outubro de 2026, Lula terá de disputar tanto a preferência de eleitores que já votaram quanto o comparecimento de quem ficou ausente. A quantidade de publicações e seguidores poderá indicar mobilização digital; a eventual reversão da desvantagem só será confirmada nas urnas.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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