A campanha de Lula no segundo turno das eleições de 2026 passou a apostar em vídeos espontâneos e na mobilização de parlamentares jovens para tentar superar Flávio Bolsonaro (PL). A mudança amplia as formas de contato com os eleitores, mas não comprova conquista de votos. O desafio é alcançar pessoas dispostas a mudar sua escolha ou comparecer às urnas em 25 de outubro.
A desvantagem é concreta. Com 100% das seções totalizadas no primeiro turno, Flávio recebeu 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula, segundo resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em 5 de outubro. A diferença foi de 2.224.965 votos. O novo formato de comunicação ainda não tem resultado eleitoral mensurável.
Lula no segundo turno enfrenta desafio além dos seguidores
A mudança tem um detalhe curioso: Lula resistia aos vídeos em formato selfie, embora auxiliares defendessem a ideia durante a campanha. Segundo o Metrópoles, após conversar com parlamentares na quarta-feira (7), o presidente prometeu produzir conteúdos diariamente e brincou que acordaria cedo para “falar com celular”.
Naquele dia, seu perfil publicou nove gravações nesse formato. Em três, Lula apareceu sozinho; nas outras seis, acompanhado de deputados federais recém-eleitos. Em uma delas, pediu que os apoiadores participassem da mobilização eleitoral.
A mudança ocorreu após uma autocrítica à organização da campanha. Em conversa com parlamentares, Lula classificou a disputa deste ano como a “menos organizada” desde 1989, segundo reportagem do Metrópoles. A avaliação ajuda a contextualizar a reformulação, sem demonstrar que as dificuldades tenham sido superadas.
Abstenção de 33,4 milhões não representa votos disponíveis
A dimensão do desafio aparece nos dados de comparecimento. No primeiro turno de 2026, 33.469.244 eleitores não votaram, equivalentes a 21,08% dos 158.745.502 brasileiros aptos a votar, conforme resultados eleitorais publicados após a totalização.
Esse contingente é maior que a diferença entre os candidatos, mas não representa apoio potencial automático a Lula. Quem se absteve pode continuar ausente, votar no presidente ou escolher Flávio Bolsonaro.
Em uma gravação divulgada na quarta-feira (7), Lula pediu a participação dos eleitores e afirmou: “É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país”.
A declaração evidencia a tentativa de estimular o comparecimento. Já o resultado dependerá de quantos eleitores efetivamente votarão e de suas escolhas, informações que os indicadores das redes sociais não conseguem antecipar.
Janones e Ana Elisa levam mobilização para outros públicos
O deputado André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que alcançou 2 milhões de inscritos em 7 de outubro, segundo o Metrópoles. O crescimento demonstra adesão ao canal, não transferência comprovada de votos para o presidente.
Outra aposta é Ana Elisa (PT-MG), eleita deputada federal aos 21 anos. Sua participação tem importância particular em Minas Gerais, onde Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula. O alcance digital da parlamentar não permite medir eventual mudança no resultado presidencial.
A mobilização também pretende chegar às universidades. Rosa Amorim (PT-PE), deputada federal eleita, afirmou ao Metrópoles: “Um dos primeiros pontos é a mobilização nas universidades, que já estão se movimentando”.
A campanha pretende discutir com jovens temas como educação, emprego, renda e segurança pública, conforme a parlamentar. Essas atividades ampliam os canais de contato, mas sua eficácia eleitoral permanece desconhecida.
Até 25 de outubro de 2026, Lula terá de disputar tanto a preferência de eleitores que já votaram quanto o comparecimento de quem ficou ausente. A quantidade de publicações e seguidores poderá indicar mobilização digital; a eventual reversão da desvantagem só será confirmada nas urnas.