O industrial Alex Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará (Sindpan-CE), foi eleito nesta terça-feira (26/05) novo presidente da Abip para o triênio 2026-2029, em uma mudança que coloca uma liderança cearense no comando nacional da panificação.
A Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria afirma representar mais de 100 mil padarias e confeitarias no país e reunir 50 entidades filiadas. Dados institucionais da entidade apontam faturamento de R$ 164 bilhões no setor.
A escolha de Martins amplia a presença do Ceará em uma cadeia ligada ao consumo diário, à produção local e à atividade de pequenos empreendedores. O novo comando também dá maior visibilidade a uma agenda voltada à modernização e à competitividade das padarias.
A eleição também desloca a Abip para uma agenda mais próxima das padarias de bairro, que concentram parte relevante da produção própria, do atendimento local e da geração de empregos no setor.
Novo presidente da Abip amplia peso do Ceará na pauta empresarial
A Abip atua na articulação do setor, na defesa de competitividade e na discussão de políticas públicas ligadas à panificação e confeitaria.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Cavalcante, associou a eleição à trajetória de Martins no Sindpan-CE e afirmou que a escolha reforça a presença cearense no setor.
“A trajetória de Alex Martins à frente do Sindpan demonstra compromisso, capacidade de articulação e profundo conhecimento da indústria de panificação e confeitaria. Parabenizamos Alex por assumir a presidência da Abip, uma conquista que também evidencia a relevância do Ceará no cenário nacional do setor”, afirmou Ricardo Cavalcante.
A escala financeira tira a mudança de comando do campo meramente associativo. A Abip ganha relevância por reunir uma rede que envolve indústria, varejo, serviços e pequenos negócios, além de temas como eficiência produtiva, compras, qualificação de mão de obra e novos hábitos de consumo.
Setor de panificação no Brasil combina escala e pequenos negócios
A panificação brasileira movimenta cifras bilionárias, mas depende de uma base pulverizada de empresas pequenas e médias. Essa estrutura amplia a importância de políticas setoriais voltadas à produtividade, gestão e fortalecimento de negócios locais.
A Abip informa que 68,8% dos produtos vendidos em padarias são de produção própria, enquanto 31,2% correspondem à revenda. O dado mostra que a padaria opera, ao mesmo tempo, como pequena indústria, ponto de venda e serviço cotidiano para consumidores.
Essa base explica por que o discurso de Martins sobre a padaria de bairro tem peso econômico. Ao citar negócios com três ou quatro funcionários, o novo presidente da Abip aponta para a camada que mais sente a pressão de custos, informalidade, crédito caro e dificuldade de modernização.
O ponto central não é apenas representar um setor grande, mas reduzir a distância entre a entidade nacional e o pequeno empresário que opera com margem apertada. Para esse público, competitividade aparece em decisões simples: compra de farinha, conta de energia, treinamento de equipe e gestão de estoque.
Alex Martins na Abip: continuidade e foco nas padarias
Alex Martins concorreu em chapa única e afirmou que pretende dar continuidade aos projetos da Abip desenvolvidos na gestão anterior, presidida por Paulo Menegueli. Também defendeu ampliar iniciativas inspiradas em experiências aplicadas no Ceará.
A agenda mencionada por Martins coloca as padarias menores no centro da atuação setorial. Segundo ele, a Abip trabalha para levar projetos ao final da cadeia, incluindo a padaria de bairro e pequenos negócios com três ou quatro funcionários.
A pauta das padarias no Brasil vai além do preço do pão. O setor envolve emprego local, produção diária, abastecimento de bairros, fornecedores e adaptação a consumidores que buscam conveniência, alimentação rápida e serviços próximos de casa.