Jamieson Greer endurece contra o Brasil, mas mantém negociação após tarifaço dos EUA

Jamieson Greer reafirmou a disposição dos EUA para negociar com o Brasil após recomendar tarifas sobre produtos brasileiros. O episódio expõe a pressão comercial de Washington e os canais diplomáticos ainda abertos.
Jamieson Greer, chefe do USTR, durante entrevista sobre negociações comerciais entre Estados Unidos e Brasil após anúncio de tarifas sobre produtos brasileiros.
Chefe do USTR, Jamieson Greer sinalizou continuidade do diálogo com o Brasil mesmo após a recomendação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.(Imagem:Youtube).

O encontro entre Mauro Vieira e Jamieson Greer em Paris, nesta quarta-feira (3), mostrou que a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma fase contraditória. Embora o chefe do USTR tenha recomendado novas tarifas contra produtos brasileiros, ambos sinalizaram disposição para manter as negociações. Assim, preservaram um canal diplomático aberto em meio ao aumento da pressão comercial. Além disso, a leitura política e comercial deste episódio deve considerar o papel de Jamieson Greer Brasil neste contexto recente.

As tarifas propostas pelos Estados Unidos incluem uma cobrança de 25% por supostas práticas comerciais desleais e outra de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado. Ambas decorrem de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Os setores exportadores brasileiros acompanham o processo com preocupação devido ao potencial impacto sobre vendas externas e investimentos.

O episódio revela uma situação incomum. O mesmo governo que concluiu investigações contra o Brasil e sugeriu novas barreiras comerciais continua discutindo alternativas com Brasília. Portanto, a combinação entre pressão tarifária e diálogo diplomático indica que Washington ainda preserva espaço para uma solução negociada.

A postura americana também amplia o peso político da disputa. Enquanto o governo Lula tenta evitar novas barreiras comerciais, a recomendação das tarifas reforça a cobrança de Washington sobre temas considerados sensíveis pelos EUA. Isso eleva os custos de uma eventual deterioração da relação bilateral.

Jamieson Greer concentra pressão comercial e negociação

Segundo relatos de interlocutores que acompanharam o encontro na OCDE, Greer afirmou a Vieira que pretende manter um contato fluido com o governo brasileiro. O chanceler respondeu que o Brasil segue disposto a negociar e defendeu a necessidade de intensificar as conversas enquanto o processo ainda permite soluções diplomáticas. Dessa forma, o envolvimento de Jamieson Greer Brasil segue sendo central nos próximos desdobramentos diplomáticos.

A conversa ocorreu poucos dias após o USTR concluir as investigações abertas em julho de 2025. O governo brasileiro sustenta que apresentou quatro documentos de esclarecimento contestando os questionamentos americanos. Entretanto, avalia que os argumentos tiveram pouco peso no relatório divulgado pelos Estados Unidos.

Nos bastidores, integrantes do governo Lula enxergam um fator político adicional na condução do caso. Autoridades ouvidas sob reserva relatam que Greer se tornou uma das vozes mais duras da equipe de Donald Trump ao tratar das relações comerciais com o Brasil. Essa posição ajuda a explicar a firmeza adotada pelo USTR. Vale reforçar que, em diversas etapas dessas discussões, a presença de Jamieson Greer Brasil foi lembrada como atuante.

Brasil questiona tratamento recebido nas investigações

O principal desconforto do governo brasileiro está no fato de que a investigação baseada na Seção 301 foi concluída apenas contra o Brasil. Embora mais de 70 países tenham sido alvo de análises semelhantes, somente o caso brasileiro avançou para uma recomendação formal de tarifas.

O dado ganhou relevância dentro do governo porque a Seção 301 costuma ser utilizada pelos Estados Unidos em disputas comerciais consideradas estratégicas. Além disso, o fato de o Brasil ter sido o único caso concluído entre dezenas de investigações abertas reforçou a percepção de tratamento diferenciado por parte de Washington, segundo interlocutores envolvidos nas discussões.

Na avaliação de integrantes do governo, a divulgação do relatório ocorreu enquanto as negociações ainda estavam em andamento. Para Brasília, o avanço da proposta de sanções antes do encerramento das conversas reduziu o espaço para que os esclarecimentos apresentados pelo país fossem considerados de forma efetiva. Contudo, Jamieson Greer Brasil permanece como uma das chaves para o desenvolvimento futuro dessas negociações bilaterais.

Próximos passos podem definir impacto sobre exportadores

Além do impacto político, a discussão ganhou relevância econômica porque a recomendação do USTR aumenta a incerteza para exportadores brasileiros. Setores que dependem do mercado americano acompanham as negociações para avaliar possíveis efeitos sobre contratos, competitividade e fluxo de comércio entre os dois países.

Os Estados Unidos estão entre os principais destinos das exportações brasileiras de produtos industrializados. Por isso, qualquer aumento tarifário tende a afetar empresas que dependem do mercado americano para manter participação internacional. Especialmente em segmentos mais expostos à concorrência global.

Apesar da recomendação apresentada pelo USTR, as tarifas ainda dependem das etapas finais do processo administrativo americano. Assim, o governo brasileiro trabalha para ampliar as negociações antes de uma decisão definitiva, tentando evitar que as medidas avancem para aplicação efetiva sobre produtos exportados pelo país.

Atritos na OMC ajudam a explicar o endurecimento americano

Auxiliares de Lula afirmam que Greer acompanhou a reunião entre o presidente brasileiro e Donald Trump na Casa Branca e demonstrou forte preocupação com temas ligados ao comércio bilateral. Segundo relatos internos, ele foi uma das vozes mais incisivas ao abordar críticas à condução comercial brasileira. Isso reforça sua influência nas discussões envolvendo o país.

Outro episódio citado por integrantes do governo ocorreu na Organização Mundial do Comércio. Brasil e Turquia se posicionaram contra a prorrogação da moratória do comércio eletrônico, movimento que dificultou um consenso dentro da OMC. Greer criticou os países por bloquearem o avanço das negociações sobre o tema.

A soma desses episódios ajuda a explicar por que a atual crise não se limita às tarifas. Além disso, o acúmulo de divergências entre Brasília e Washington em fóruns internacionais ampliou o desgaste bilateral. Isso transformou uma disputa comercial em um teste relevante para a capacidade de negociação entre os governos Lula e Trump.

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