A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta quarta-feira (3) mostra Capitão Wagner na liderança do terceiro cenário para o Senado no Ceará, com 43% das menções. Eunício Oliveira aparece em seguida, com 30%, enquanto Luizianne Lins registra 23%.
Como o Ceará elegerá dois senadores em 2026, a disputa vai além da liderança isolada. O desafio dos candidatos é consolidar espaço nas duas vagas disponíveis, cenário que mantém a corrida aberta apesar da vantagem inicial de Capitão Wagner.
Os números também revelam um eleitorado ainda longe de uma definição completa. No terceiro cenário, 26% afirmam votar em branco ou nulo para a segunda vaga, enquanto 23% não sabem ou preferem não responder. Esse contingente pode ser decisivo nos próximos meses.
A indefinição ganha peso adicional porque a disputa ao Senado combina três variáveis ainda abertas: a decisão de Cid Gomes, a consolidação da segunda escolha do eleitor e o efeito da eleição presidencial sobre os palanques no Ceará.
Liderança de Wagner não encerra disputa pela segunda vaga
No terceiro cenário testado pelo Ipsos-Ipec, Capitão Wagner lidera com 43%, seguido por Eunício Oliveira, com 30%, e Luizianne Lins, com 23%.
Mais atrás aparecem Anna Karina, com 14%; Júnior Mano, com 12%; Alcides Fernandes, com 11%; e General Theóphilo, com 6%.
Embora Capitão Wagner apareça em posição confortável, a pesquisa sugere uma disputa mais intensa pela segunda cadeira. Eunício Oliveira surge em posição competitiva e Luizianne Lins permanece dentro do campo de viabilidade eleitoral, enquanto os demais candidatos ainda precisam ampliar alcance estadual.
A presença de elevado número de eleitores sem a segunda escolha consolidada reforça essa leitura. Em eleições para o Senado, é comum que parte do eleitorado defina primeiro um voto principal e deixe a segunda vaga em aberto até fases mais avançadas da campanha.
Cid Gomes continua sendo a principal variável do levantamento
A pesquisa também evidencia o peso político de Cid Gomes no cenário estadual.
No primeiro cenário testado pelo Ipsos-Ipec, o senador aparece com 49% das intenções de voto, à frente de Capitão Wagner, que registra 42%, e Eunício Oliveira, com 25%.
O dado chama atenção porque Cid Gomes tem afirmado que não pretende disputar a reeleição. Ainda assim, seu nome continua aparecendo como uma das referências mais fortes da política cearense.
Caso mantenha a decisão de não concorrer, parte desse eleitorado precisará ser redistribuída entre outros candidatos do campo governista. Nesse ambiente, nomes como Luizianne Lins e Eunício Oliveira podem disputar parcelas desse espaço político.
A eventual confirmação ou desistência definitiva de uma candidatura de Cid Gomes tem potencial para alterar significativamente a dinâmica da disputa, tornando-se um dos fatores mais relevantes do processo eleitoral no estado.
A indefinição também envolve nomes que orbitam o campo de Ciro Gomes e não foram testados pelo Ipsos-Ipec. Um deles é o advogado Cândido Albuquerque, filiado ao PSDB, citado nos bastidores como possível nome ligado ao projeto político do ex-ministro.
Corrida presidencial pode influenciar ambiente da disputa
Embora a pesquisa trate exclusivamente da eleição ao Senado, o cenário nacional aparece como uma variável importante para compreender os próximos movimentos da corrida cearense.
Levantamento Genial/Quaest realizado no Ceará mostra Lula com 50% das intenções de voto para presidente, enquanto Flávio Bolsonaro registra 23%. O resultado indica um ambiente político atualmente mais favorável ao campo governistano estado.
Esse cenário pode beneficiar candidatos ligados à base do governador Elmano de Freitas e do presidente Lula, mas de maneiras diferentes. No campo governista, o desafio não é falta de nomes, mas a distribuição do eleitorado entre perfis distintos: Cid Gomes como liderança estadual, Luizianne Lins como referência ideológica e Eunício Oliveira como nome de articulação.
No mesmo campo, Cid Gomes, quando aparece na pesquisa, demonstra capacidade de reunir apoio em diferentes setores da base governista. O dado não indica transferência automática de votos, mas ajuda a explicar sua força eleitoral no recorte estadual.
Do outro lado, o desempenho nacional da direita também pode influenciar a disputa. Temas recentes ligados à relação entre o bolsonarismo e Donald Trump, incluindo o debate sobre tarifas comerciais e soberania nacional, passaram a ocupar espaço relevante no debate político.
Nesse contexto, Capitão Wagner aparece em posição particular. Seus índices entre 42% e 45% são significativamente superiores aos 23% atribuídos a Flávio Bolsonaro no Ceará, sugerindo uma base eleitoral mais ampla do que o núcleo bolsonarista medido atualmente.
O ponto sensível para Capitão Wagner não é uma transferência direta de Flávio Bolsonaro, mas se o ambiente nacional da direita ajudará ou dificultará a sustentação de uma candidatura oposicionista no estado.
Já candidaturas como as de Alcides Fernandes e General Theóphilo tendem a ser mais sensíveis ao desempenho do campo da direita nacional, uma vez que dialogam mais diretamente com esse segmento do eleitorado.
Disputa permanece aberta apesar dos favoritos
A fotografia apresentada pelo Ipsos-Ipec mostra Capitão Wagner em vantagem nos cenários sem Cid Gomes e confirma a competitividade de Eunício Oliveira e Luizianne Lins na corrida pelas duas vagas.
Ao mesmo tempo, o levantamento indica que a eleição está longe de uma definição. O alto número de eleitores sem a segunda escolha consolidada, a indefinição sobre o futuro político de Cid Gomes e a influência potencial da disputa presidencial mantêm o cenário em movimento.
Mais do que apontar vencedores antecipados, a pesquisa revela uma corrida que ainda pode sofrer mudanças relevantes à medida que os candidatos consolidem alianças, definam palanques e enfrentem os efeitos da conjuntura nacional sobre o eleitorado cearense.
Metodologia: A pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 800 eleitores em 37 municípios do Ceará entre 28 de maio e 1º de junho de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança. Registro no TSE: BR-00962/2026. A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. Registro no TSE: BR-03598/2026.