A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na quarta-feira (03/06) mostra uma disputa ainda indefinida pelo Senado no Ceará, cargo que terá duas vagas em disputa nas eleições de 2026. O levantamento indica uma corrida competitiva entre os principais nomes testados . Além disso, há um eleitorado ainda distante de uma definição completa.
Como cada eleitor poderá escolher dois candidatos, a disputa não depende apenas de quem lidera a corrida. A capacidade de conquistar o segundo voto e ampliar alianças políticas tende a ser decisiva para a formação da futura bancada cearense no Senado.
Os números também revelam um espaço relevante para movimentação eleitoral. Uma parcela expressiva dos entrevistados ainda não definiu integralmente suas escolhas, fator que mantém aberta a possibilidade de mudanças ao longo da pré-campanha.
A disputa combina três variáveis ainda sem resposta definitiva. A primeira é a decisão de Cid Gomes (PSB) sobre uma eventual candidatura. Outra é a consolidação da segunda escolha do eleitor. Por fim, há o impacto que a eleição presidencial poderá exercer sobre os diferentes campos políticos no Ceará.
Ipsos-Ipec testa cenários com e sem Cid Gomes
O Ipsos-Ipec simulou diferentes composições para a disputa ao Senado, incluindo cenários com e sem Cid Gomes, que tem afirmado não pretender disputar a reeleição.
Na simulação em que Cid Gomes aparece entre os candidatos, o senador lidera com 49% das intenções de voto. Em seguida vem Capitão Wagner (UNIÃO), com 42%, e Eunício Oliveira (MDB), com 25%. Na sequência aparecem Alcides Fernandes (PL) e Anna Karina, ambos com 11%. Além disso, General Theóphilo (NOVO) aparece com 5%.
Já nas simulações sem Cid Gomes, a liderança passa para Capitão Wagner. Em um dos cenários, ele registra 45%, seguido por Eunício Oliveira, com 32%, enquanto Priscila Costa (PL) aparece com 17%. Em outro, Capitão Wagner alcança 43%, contra 30% de Eunício Oliveira e 23% de Luizianne Lins (REDE).
Os cenários também revelam um nível elevado de indefinição. No levantamento em que Luizianne aparece como principal nome do campo governista testado, 26% afirmam votar em branco ou nulo para a segunda vaga. Ao mesmo tempo, 23% não sabem ou preferem não responder.
Peso de Cid reorganiza a disputa pelo Senado
A presença de Cid Gomes é o elemento que mais altera a configuração da pesquisa.
Mesmo afirmando publicamente que não pretende disputar a reeleição, o senador aparece como uma das lideranças mais competitivas do estado. Seu desempenho no levantamento supera o dos demais concorrentes testados. Esse resultado ajuda a explicar por que seu futuro político continua sendo acompanhado de perto pelos adversários.
Caso mantenha a decisão de não concorrer, parte desse eleitorado precisará ser redistribuída entre outros candidatos. Nesse ambiente, nomes como Luizianne Lins e Eunício Oliveira podem disputar parcelas desse espaço, especialmente entre eleitores identificados com o campo governista.
A indefinição também envolve nomes que orbitam o projeto político de Ciro Gomes (PSDB) e não foram incluídos nos cenários do Ipsos-Ipec. Um deles é o advogado Cândido Albuquerque, filiado ao mesmo partido e apontado no meio político como possível nome ligado ao grupo do ex-ministro.
Corrida presidencial pode influenciar o ambiente eleitoral
Embora a pesquisa trate exclusivamente da eleição ao Senado, o cenário nacional aparece como uma variável relevante para compreender os próximos movimentos da disputa.
Levantamento Genial/Quaest realizado no Ceará mostra Lula com 50% das intenções de voto para presidente, enquanto Flávio Bolsonaro registra 23%. O resultado sugere um ambiente político atualmente mais favorável ao campo governista no estado.
Esse cenário pode beneficiar candidatos ligados à base do governador Elmano de Freitas (PT) e do presidente Lula, mas de maneiras diferentes. No campo governista, o desafio não é falta de nomes. Em vez disso, há a distribuição do eleitorado entre perfis distintos: Cid Gomes como liderança estadual, Luizianne Lins como referência ideológica e Eunício Oliveira como nome de articulação política.
Quando aparece no levantamento, Cid Gomes demonstra capacidade de reunir apoio em diferentes setores desse campo político. O dado não indica transferência automática de votos, mas ajuda a explicar sua capacidade de agregar segmentos distintos do eleitorado.
Do outro lado, o desempenho nacional da direita também pode influenciar a disputa. Temas recentes ligados à relação entre o bolsonarismo e Donald Trump, incluindo o debate sobre tarifas comerciais e soberania nacional, passaram a ocupar espaço relevante no debate político.
Nesse contexto, Capitão Wagner ocupa uma posição particular. Seus índices variam entre 42% e 45%, percentual significativamente superior aos 23% registrados por Flávio Bolsonaro (PL) no Ceará. O dado sugere uma base eleitoral mais ampla do que o núcleo bolsonarista medido atualmente pelas pesquisas presidenciais.
O ponto sensível para Capitão Wagner não é uma transferência direta de votos de Flávio Bolsonaro. Na verdade, o mais importante é a capacidade do campo da direita de manter força política suficiente para sustentar uma candidatura oposicionista competitiva no estado.
Já candidaturas como as de Alcides Fernandes e General Theóphilo tendem a ser mais sensíveis ao desempenho desse segmento político. Isto ocorre porque dialogam de forma mais direta com o eleitorado conservador.
A fotografia apresentada pelo Ipsos-Ipec mostra Capitão Wagner em vantagem nos cenários sem Cid Gomes. Além disso, confirma a competitividade de Eunício Oliveira e Luizianne Lins na corrida pelas duas vagas.
Ao mesmo tempo, o levantamento indica que a eleição está longe de uma definição. O alto número de eleitores sem a segunda escolha consolidada, a indefinição sobre o futuro político de Cid Gomes e a influência potencial da disputa presidencial mantêm o cenário em movimento.
Mais do que apontar vencedores antecipados, a pesquisa revela uma corrida que ainda pode sofrer mudanças relevantes. A mudança vai ocorrer à medida que os candidatos consolidem alianças, definam palanques e enfrentem os efeitos da conjuntura nacional sobre o eleitorado cearense.
Metodologia: A pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 800 eleitores em 37 municípios do Ceará entre 28 de maio e 1º de junho de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança. Registro no TSE: BR-00962/2026. A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. Registro no TSE: BR-03598/2026.