O Governo do Ceará apresentou nesta quarta-feira (10/06), no Palácio da Abolição, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que colocam os roubos no Ceará no topo nacional de redução entre janeiro e abril de 2026.
A queda nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) foi de 59,02%, contra média brasileira de 15,72%. No primeiro quadrimestre, o estado registrou 763 casos desse tipo de ocorrência.
O balanço de maio acrescentou outro recorte à comparação. Em relação ao mesmo mês de 2025, os roubos caíram 60,3% no Ceará e 62,9% em Fortaleza, segundo os números divulgados pelo governador Elmano de Freitas.
A distância entre o índice cearense e o resultado nacional desloca a análise para o método policial. A redução envolve crimes com naturezas diferentes, desde roubo de veículo até ataque a carga e instituições financeiras.
O que entra na conta dos roubos no Ceará
Os CVPs monitorados pelo MJSP incluem roubo de veículo, roubo de carga e roubo a instituições financeiras. A separação impede que a queda de 59,02% seja tratada como dado único sobre toda forma de roubo.
O roubo de veículo no estado afeta circulação urbana, mercado irregular de peças e investigação sobre receptação. O roubo de carga no Ceará envolve rotas logísticas, transporte de mercadorias e atuação contra grupos especializados.
O roubo a instituições financeiras tem outra escala operacional, com alvo definido e maior exigência de planejamento criminoso. A queda conjunta desses três grupos sustenta a liderança estadual no ranking de crimes patrimoniais.
RMF e Interior entram na queda de crimes patrimoniais
Durante o Carnaval de 2026, período de alta circulação turística e grandes eventos, o Ceará registrou 24 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), contra 36 ocorrências no mesmo intervalo de 2025. O balanço da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) também apontou queda em roubos, furtos e crimes sexuais no feriado, com ocupação hoteleira estimada em 90%.
A queda de CVPs em maio apareceu em todas as regiões do estado. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) registrou redução de 60,8%, enquanto o Interior teve recuo de 45,4% na comparação com maio de 2025.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o indicador patrimonial caiu 48% no Ceará, 48,4% em Fortaleza e 58,6% na RMF. O recorte amplia a base de comparação para além do primeiro quadrimestre monitorado pelo governo federal.
O dado regional reduz a dependência da média estadual. A RMF ficou acima do resultado geral de maio, enquanto o Interior teve queda menor, mas ainda dentro da linha de redução informada no balanço oficial.
Inteligência policial sustenta explicação oficial
O governador Elmano de Freitas vinculou o resultado ao trabalho integrado com Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e órgãos estaduais de segurança. A fala conecta a redução a uma cadeia institucional.
“É no Ceará que aconteceu a maior redução de roubo do Brasil e a segunda maior redução de CVLI do país”, afirmou Elmano de Freitas.
O secretário Roberto Sá, titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), atribuiu o resultado à inteligência policial, à gestão de pessoas e processos, às operações e ao uso de evidências científicas.
Além dos crimes patrimoniais, o Ceará apareceu como o segundo estado com maior redução de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no país. A queda foi de 37,16%, ante média nacional de 13,17%.
No primeiro quadrimestre de 2026, o estado registrou 585 vítimas de CVLI. Esse grupo reúne mortes violentas, como homicídios e feminicídios, conforme a classificação apresentada pelo governo estadual.
O balanço de maio também mostrou queda de 48,7% nos CVLIs no Ceará, de 70,8% em Fortaleza e de 83,5% na RMF, sempre na comparação com o mesmo mês de 2025.
A apresentação no Palácio da Abolição levou o ranking de CVP ao centro da agenda estadual de segurança. O acumulado de cinco meses fixa nova régua para a SSPDS: manter a curva de crimes patrimoniais abaixo do patamar de 2025.