Ney Ferraz volta ao centro de investigação e amplia pressão sobre gestão Ibaneis

Ney Ferraz voltou ao centro das investigações no Distrito Federal após a Operação Black-Tie apurar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e patrimônio incompatível. A ação atingiu até o Palácio do Buriti e aumenta a pressão política sobre a gestão que o levou ao comando da Economia do DF. Entenda os detalhes do caso.
Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do Distrito Federal, alvo da Operação Black-Tie que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz foi alvo de mandado de busca na Operação Black-Tie, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e enriquecimento incompatível.(imagem:Secretaria de Economia-DF).

O ex-secretário de Economia do Distrito Federal Ney Ferraz voltou ao centro de uma investigação de corrupção após ser alvo da Operação Black-Tie. A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (17) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A apuração mira suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A operação também alcançou o assessor comissionado Luiz Carlos de Sousa e cumpriu buscas em imóveis no DF. Além disso, houve uma diligência no Anexo do Palácio do Buriti. Os investigadores apontam indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas incompatíveis com a renda formalmente declarada pelos investigados.

A investigação atinge um ex-secretário que administrava uma das áreas mais sensíveis do governo distrital. A Secretaria de Economia é responsável pela execução orçamentária, arrecadação e gestão financeira do DF. Isso amplia o interesse público sobre qualquer suspeita envolvendo antigos ocupantes do cargo.

Embora a investigação siga sob sigilo, o avanço das medidas judiciais indica que os órgãos de controle identificaram elementos considerados suficientes para aprofundar a apuração patrimonial e financeira dos envolvidos. Isso levou o caso até o núcleo administrativo do governo distrital.

Operação Black-Tie nasceu após suspeitas sobre patrimônio e movimentações financeiras

Segundo a PCDF, as investigações começaram em fevereiro de 2025 após a identificação de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos investigados.

A partir das análises, os investigadores passaram a apurar mecanismos que teriam sido utilizados para ocultar a origem de recursos. Também apuraram a dissimulação de patrimônio e a viabilização da atuação coordenada entre servidores públicos e particulares para obtenção de vantagens indevidas.

Um dos episódios que despertou atenção durante a investigação foi a compra de roupas de alto padrão mediante pagamentos em espécie. O fato inspirou o nome da Operação Black-Tie e passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades.

Para investigadores especializados em corrupção, movimentações em dinheiro vivo costumam receber atenção especial porque dificultam o rastreamento financeiro e a identificação da origem dos recursos. Essa circunstância, segundo a PCDF, ajudou a aprofundar as suspeitas sobre a destinação e a procedência dos valores movimentados pelos investigados.

Histórico judicial aumenta peso político da investigação contra Ney Ferraz

A relevância do caso também está no fato de a operação ocorrer em um momento em que Ney Ferraz já carregava desgaste decorrente de processos anteriores. Dessa forma, a nova apuração é observada não como um episódio isolado, mas como mais um capítulo de questionamentos envolvendo sua atuação na administração pública.

Ferraz ocupou o comando da Secretaria de Economia durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Ele se tornou uma das figuras mais influentes da administração distrital na área fiscal e orçamentária. A pasta é responsável pela arrecadação, execução do orçamento e gestão financeira do Distrito Federal.

O avanço da investigação amplia o interesse público sobre os desdobramentos do caso porque envolve um ex-integrante do primeiro escalão do governo. Além disso, pode gerar novos questionamentos sobre mecanismos de controle e fiscalização adotados durante sua passagem pela administração pública.

Busca no Buriti leva investigação para dentro da estrutura do governo

Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis localizados em Planaltina e no Noroeste. Além disso, houve uma ordem judicial executada no Anexo do Palácio do Buriti.

Além das buscas, a Justiça autorizou medidas patrimoniais destinadas a preservar ativos que possam ter relação com os fatos investigados. O objetivo é impedir eventual ocultação ou dissipação de bens enquanto a apuração segue em andamento.

A Secretaria de Economia confirmou que um servidor vinculado à gestão anterior foi alvo da operação. Em nota, a pasta informou que a diligência foi restrita à estação de trabalho do servidor. Ela declarou que prestará total colaboração às autoridades responsáveis pela investigação.

Embora a atual gestão tenha destacado que o servidor investigado está ligado à administração anterior, a realização de diligências dentro do centro administrativo do governo mantém o caso sob forte repercussão política e institucional no Distrito Federal. Além do resultado criminal da investigação, os próximos passos da apuração poderão indicar se os órgãos de controle identificaram um episódio isolado ou um esquema com alcance dentro da estrutura administrativa do DF.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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