Uma fotografia atribuída a 2022 acrescentou um novo episódio ao histórico recente envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e personagens ligados a Daniel Vorcaro.
A imagem mostra Flávio ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Segundo a apuração publicada pelo ICL Notícias em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística, Mourão foi apontado pela Polícia Federal como um dos operadores de um grupo ligado ao empresário.
O registro teria sido feito em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro, mas não há informação confirmada sobre o motivo do encontro, quem tirou a fotografia ou quanto tempo os dois permaneceram no mesmo local.
Testes não apontaram sinais de geração por IA
O ICL Notícias e o CLIP informaram ter submetido a fotografia a cinco ferramentas de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial. Nenhuma delas teria identificado marcas de criação artificial.
Uma análise com a ferramenta InVID também não encontrou, segundo a publicação, indícios de montagem ou manipulação. A apuração examinou ainda sombras, reflexos e pontos de iluminação sobre os dois homens.
As verificações não estabelecem, porém, a procedência original da foto nem esclarecem o contexto em que foi produzida.
Investigação atribuía ameaças ao grupo
Segundo os elementos citados da investigação, Mourão integraria um núcleo chamado “A Turma”, responsável por monitorar e coletar informações sobre pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.
Mensagens apreendidas indicariam conversas sobre a possibilidade de intimidar o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, por meio de um assalto. Havia ainda discussões relacionadas a ameaças contra outros desafetos.
Mourão morreu em 6 de março, após permanecer internado em estado grave no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Ele havia sido preso dois dias antes, durante a Operação Compliance Zero, e foi levado à unidade depois de tentar tirar a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. Após sua morte, supostos arquivos contra família Vorcaro viram nova ameaça no Caso Master.
Em Minas Gerais, onde também era chamado de Mexerica, respondia desde 2021 a processo por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. A defesa contestava as acusações.
Foto de Flávio com Sicário surge após negócio para financiar filme
O novo registro aparece depois de reportagens revelarem negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo a apuração citada, Flávio pediu R$ 134 milhões para viabilizar a produção, e Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões. O senador inicialmente negou o financiamento, mas reconheceu posteriormente a participação do empresário após a divulgação de áudios.
Fabiano Campos Zettel, também citado pela PF como operador do grupo, doou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro em 2022. A doação eleitoral, a negociação do filme e a fotografia são fatos distintos e não demonstram, isoladamente, participação de Flávio nas atividades investigadas.
Em nota, a assessoria do senador afirmou que Flávio recebe diariamente pedidos de fotos por ser uma figura pública. O parlamentar declarou que não conhece e nunca viu o homem retratado e classificou como irresponsável atribuir significado pessoal à imagem.