A nova pesquisa eleitoral Quaest coloca Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) separados por quatro pontos percentuais no primeiro turno estimulado. O presidente aparece com 37% das intenções de voto, contra 33% do senador. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Mas há outro número na mesma rodada que amplia a fotografia da reta final. Quando os entrevistados precisam dizer espontaneamente em quem pretendem votar, 35% ainda não citam candidato. Nesse formato, Lula registra 31% e Flávio, 26%.
Os resultados não são contraditórios nem significam que 35% dos eleitores estejam disponíveis para mudar de voto. São perguntas diferentes: na espontânea, nenhum candidato é apresentado; na estimulada, o entrevistado escolhe diante da lista de nomes.
Pesquisa eleitoral deixa diferença de 27 pontos entre indecisos
O contraste aparece justamente na indefinição. Na pergunta estimulada, 8% estão indecisos. Na espontânea, são 35%. A distância é de 27 pontos percentuais, cálculo próprio a partir dos dois resultados da mesma rodada.
Essa diferença é relevante porque impede tratar o placar de 37% a 33%, sozinho, como medida de quanto o voto já está consolidado. A pergunta espontânea exige que o eleitor mencione uma candidatura sem receber alternativas, enquanto a estimulada mede sua preferência diante dos nomes apresentados.
Na espontânea, além dos 31% de Lula e dos 26% de Flávio, Augusto Cury (Avante) registra 3%. Outros candidatos somam 3%, enquanto brancos e nulos representam 2%. Os indecisos formam o maior grupo isolado nesse formato, com 35%.
Isso não permite concluir que esse grupo migrará para Lula, Flávio ou qualquer outra candidatura. A Quaest não identifica o destino futuro desses votos.
Indecisos já eram 41% há uma semana
A comparação com a rodada anterior acrescenta outra informação à pesquisa eleitoral. Os indecisos na espontânea passaram de 41% para 35% em uma semana. No mesmo período, Lula variou de 28% para 31%, enquanto Flávio passou de 23% para 26%.
Há, portanto, mais eleitores citando espontaneamente uma candidatura do que na rodada anterior. Os dados disponíveis, porém, não permitem atribuir diretamente a queda de seis pontos dos indecisos ao crescimento de um candidato específico.
O resultado também chama atenção quando comparado ao grau declarado de certeza entre quem já escolheu um nome. Na mesma rodada, 79% dos eleitores com candidato afirmaram estar convictos da escolha, enquanto 21% disseram que ainda podem mudar de voto.
Esse contraste ajuda a explicar uma aparente contradição da reta final: uma parcela relevante ainda não menciona espontaneamente candidato, enquanto entre os que já declaram uma preferência predomina a afirmação de voto consolidado.
Quaest considera vitória no primeiro turno “muito improvável”
A aproximação entre os dois principais candidatos também colocou em discussão uma eventual definição da eleição já em 4 de outubro. Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, afirmou à Veja considerar “muito improvável” que a disputa termine no primeiro turno.
A avaliação não transforma os 35% da espontânea em votos disponíveis. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos.
A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e registrado no TSE sob o número BR-06004/2026.
A 12 dias da votação, a pesquisa eleitoral deixa uma distinção prática: Lula e Flávio estão separados por quatro pontos na estimulada, mas 35% ainda não apontam espontaneamente um candidato. Esse percentual não antecipa para onde irão os votos; delimita quanto da definição captada pelo levantamento depende também da forma como a preferência é perguntada.