A Polícia Federal (PF) prendeu Victor Lima Sedlmaier no aeroporto de Dubai, neste sábado (16/5), e o investigado chegou a São Paulo no fim da tarde, segundo a corporação. Ele era um dos foragidos da 6ª fase da Operação Compliance Zero e passou a ser tratado como suspeito de ligação com o grupo “Os Meninos”, núcleo hacker investigado no caso Banco Master.
Sedlmaier estava foragido desde quinta-feira (14/5), quando a PF cumpriu nova fase da investigação sobre corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A prisão ocorreu por cooperação internacional com a Interpol e a polícia de Dubai.
O mandado de prisão preventiva foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master. A PF aponta Sedlmaier como suspeito de atuar no grupo “Os Meninos”, descrito na investigação como núcleo hacker ligado ao caso Banco Master e ao entorno de Daniel Vorcaro.
O dado que diferencia a prisão está no depoimento do próprio investigado. Sedlmaier disse prestar serviços a David Henrique Alves, apontado pela PF como chefe do grupo, e afirmou saber que David atuava em questões de “reputação online” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Depoimento liga David à imagem digital de Vorcaro
Em depoimento, Sedlmaier afirmou ser estudante de ciência da computação e desenvolvedor de sistemas. Segundo ele, o vínculo com David começou em julho de 2024, após contato intermediado por um primo.
A versão apresentada descreve serviços técnicos, como conserto de computadores e desenvolvimento de software de inteligência artificial. Sedlmaier disse receber R$ 2 mil mensais, além de bônus por demandas eventuais.
Para os investigadores, o grupo Os Meninos reunia pessoas com perfil hacker, remuneradas para invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.
Sedlmaier também disse que David trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, apontado pela PF como o “Sicário” de Vorcaro. Segundo o relato, David recebia R$ 35 mil por mês.
A investigação distribui os papéis do núcleo da seguinte forma:
- Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai, declarou atuar com serviços técnicos;
- David Henrique Alves é apontado pela PF como chefe do núcleo hacker do Banco Master;
- Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, aparece como elo financeiro sob investigação;
- Daniel Vorcaro é citado no depoimento como nome associado aos serviços atribuídos a David;
- Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi preso na 6ª fase da operação.
PF vê apoio logístico e possível ocultação de provas
A suspeita contra Sedlmaier ganhou peso por causa de uma sequência registrada após fase anterior da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, na noite de 4 de março deste ano, David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) dentro de um veículo de Luiz Phillipi Mourão, com computadores e documento de terceira pessoa.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que a situação foi interpretada como “indicativo de fuga em andamento e possível destruição, remoção ou ocultação de provas digitais”. O trecho liga o episódio ao risco de perda de material relevante para a investigação.
No dia seguinte à operação, Sedlmaier teria ido à casa de David com um caminhão de mudança para retirar itens do imóvel. A PF afirma que o documento encontrado com David, em nome de Marcelo Souza Gonçalves, tinha a foto de Sedlmaier.
“Victor não apenas conhecia a rotina do líder do grupo, mas teria atuado para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com potencial relevância probatória”, escreveu Mendonça.
O ministro também registrou que Victor mencionou “Rodrigo”, identificado pela autoridade policial como Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos. Para a decisão, a referência indica atuação conjunta em favor de David e do núcleo “Os Meninos”.
Drogarias entram na apuração sobre pagamentos
A decisão aponta que Victor é sócio da Drogaria Saúde Vida Ltda. e da Nova Farma Drogaria e Cosméticos Ltda., empresas que, segundo a PF, podem ter sido usadas para recebimento indireto de valores.
A suspeita aproxima o dinheiro investigado dos serviços digitais atribuídos ao grupo. A apuração tenta identificar se informática, inteligência artificial e imagem online eram atividades lícitas ou se serviam para sustentar ações ilegais atribuídas ao grupo.
A 6ª fase da operação também resultou na prisão do empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Com a captura de Sedlmaier, seguem foragidos David Henrique Alves e Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado, segundo a PF.